Só os mortos ressuscitam. Artigo de Marco Pappalardo

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18 Julho 2026

Um livro, escrito em parceria por um jornalista e um padre, para esclarecer os dias difíceis com fé.

O artigo é de Marco Pappalardo, professor de Letras no Instituto “Majorana-Arcoleo” de Caltagirone, e assessor de imprensa da Catedral Basílica de Catânia, na Itália. O artigo foi publicado em Vino Nuovo, 17-07-2026.

Eis o artigo.

Há livros que lemos para obter conhecimento sobre um tema, e outros que lemos porque, página após página, acabam por nos levar a questionar a vida. "Só os Mortos Ressuscitam", publicado pela Porziuncola, escrito pela jornalista Adelaide Barbagallo e pelo Padre Salvatore Bucolo, da Diocese de Catania, pertence definitivamente à segunda categoria, pois baseia-se em histórias reais contadas no programa de televisão "Parliamone", apresentado pelos dois autores. O título, que pode parecer provocativo, na verdade capta a essência de todo o livro: a ressurreição não é primordialmente um evento que diz respeito ao fim da vida, mas uma experiência que permeia o quotidiano de todos os homens e mulheres. Os autores falam dessas "mortes" que todos nós experimentamos mais cedo ou mais tarde, como a perda de um ente querido, uma doença grave, o fracasso de um casamento, uma vocação a ser redescoberta, uma ferida que parece impossível de cicatrizar, a sensação de vazio que nenhum sucesso consegue preencher. O mérito do livro reside em retirar a palavra "ressurreição" de uma dimensão exclusivamente futura e devolvê-la à concretude do presente, a partir da perspectiva da fé.

Livro "Só os Mortos Ressuscitam", de Adelaide Barbagallo e Salvatore Bucolo

Dom Salvatore Bucolo nos lembra que ninguém está imune a essas mortes interiores, que não dependem da conta bancária, do sucesso ou do status social de alguém; elas podem habitar a vida de qualquer pessoa, e justamente quando toda certeza parece desmoronar, um espaço inesperado pode se abrir, onde a Graça traz um renascimento. O que torna essa perspectiva crível, no entanto, não são afirmações teóricas, mas histórias.

Adelaide Barbagallo reúne e narra com sensibilidade jornalística as histórias de pessoas comuns: casais feridos que redescobrem a comunicação, pais que vivenciam a maior dor, jovens problemáticos que descobrem um novo rumo, mulheres que escolhem a vida mesmo quando tudo indica o contrário. Não são histórias criadas para comover, nem exemplos inatingíveis; são vidas reais, muitas vezes marcadas por cicatrizes que nunca desaparecem, e que, justamente por isso, se tornam testemunhos verossímeis.

Ao lado dessas histórias contemporâneas, encontram-se as das Sagradas Escrituras: Davi, Marta e Maria, Jairo e outras figuras bíblicas. Suas histórias dialogam com as histórias de hoje, e o leitor compreende, assim, que a Bíblia não é um arquivo de eventos distantes, mas continua a iluminar as questões e as feridas do homem contemporâneo. Um dos aspectos mais bem-sucedidos do livro é a coautoria. O jornalista e o sacerdote mantêm suas vozes distintas. Por um lado, há o rigor da escuta, a atenção aos detalhes, a concretude das histórias; por outro, a leitura espiritual, nunca invasiva ou moralista, que leva o leitor a reconhecer o fio condutor da Providência nos acontecimentos humanos. É uma complementaridade que funciona, porque nenhum dos dois autores pretende explicar tudo; os eventos atuais deixam espaço para o mistério, enquanto a reflexão teológica surge da experiência concreta. A mensagem que emerge não é a de uma fé capaz de eliminar a dor, mas sim a de uma fé que nos ensina a atravessá-la. A ressurreição, portanto, não é o apagamento do sofrimento, mas a possibilidade de lhe dar um novo significado. As feridas não desaparecem; Elas se tornam o lugar onde uma vida mais plena, iluminada pelo Evangelho, pode se manifestar.

"Só os Mortos Ressuscitam" cumpre uma tarefa profundamente evangélica: restaura a dignidade às fragilidades da existência com testemunhos que convidam o leitor a reexaminar a própria vida. Se cada página conta a história de alguém que perseverou na morte e renasceu, que parte da minha vida ainda aguarda ressurreição? É um convite a ter a coragem de crer que nenhuma história, uma vez entregue a Deus, está definitivamente perdida.

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