18 Julho 2026
Estudo analisou quase 60 mil registros de inundações, tempestades, deslizamentos de terra e seca; prejuízos somaram US$ 123 bilhões, a informação é publicada por ClimaInfo 18-07-2026.
O clima extremo marcou quase todas as cidades brasileiras. De acordo com um estudo publicado na Environmental Research Letters, mais de 91% dos 5.569 municípios do país mais o DF experimentaram pelo menos um desastre relacionado a inundações, deslizamentos de terra, tempestades e/ou secas nos últimos 35 anos.
A pesquisa foi feita por especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da USP e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a partir da análise de quase 60 mil registros de desastres hídricos no país entre 1991 e 2024. Ao todo, esses eventos causaram quase 5 mil mortes e custaram cerca de US$ 123 bilhões (R$ 630 bilhões) à economia brasileira.
A pesquisa dividiu os registros de desastres em quatro categorias: inundações, tempestades, secas e deslizamento de terras. As inundações foram o desastre mais recorrente, com 45% dos registros, 16% das mortes e 32% das perdas econômicas. Já as secas, apesar de representarem apenas 6% dos registros de desastre, concentraram a maior parcela de mortes no período, com 35%.
O Nordeste tem o maior número de municípios com registros de eventos extremos (1.765), seguido por Sudeste (1.405), Sul (1.152), Norte (433) e Centro-Oeste (342). O Sudeste registrou o maior número de mortes por enchentes, enquanto o Nordeste sofreu o maior prejuízo econômico por conta das secas prolongadas. Já o Sul teve o maior número de inundações e mortes por tempestades.
Os impactos também variam de região para região. Nos óbitos, por exemplo, o Sudeste concentrou o maior número de mortes relacionadas a inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos. O Sul teve a maior parte de suas mortes relacionadas a tempestades, e o Nordeste, a secas.
Muitos dos municípios experimentaram diferentes tipos de eventos extremos no período: 1.814 cidades enfrentaram três dos quatro tipos analisados, e outras 270 registraram todos os tipos. A cidade de Nova Friburgo (RJ) teve o maior número de mortes por inundações (432); Petrópolis (RJ) liderou os óbitos por deslizamento (108) e tempestades (327); e Milagres (BA) liderou os óbitos pela seca (64).
Já Rio do Sul (SC) concentrou o maior prejuízo econômico por inundações (cerca de R$ 11,4 milhões); e Maceió (AL) registrou o maior prejuízo por deslizamentos (cerca de R$ 14,4 milhões). O levantamento inclui muitos dos eventos extremos mais recentes que assolaram o Brasil, como as chuvas de fevereiro de 2023 em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, e as tempestades que deixaram boa parte do Rio Grande do Sul debaixo d’água em maio de 2024.
Os autores do estudo ressaltaram que, além do clima extremo, a falta de preparo e prevenção também interfere nos impactos desses eventos. “Há exceções que os modelos climáticos não conseguem prever, mas, para a maioria dos eventos, órgãos nacionais como o Cemaden emitem alertas e o poder público é informado do que pode vir a acontecer. O problema é a negligência, a falta de estrutura e até ausência de atuação”, afirma Elton Vicente Escobar Silva, pesquisador do Cemaden e primeiro autor do estudo, à Agência FAPESP.
O estudo também foi destacado pela CNN Brasil e O Globo.
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