Um padre alemão e um indígena a caminho da beatificação

Foto: Arquidiocese de Bamberg | KNA

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16 Julho 2026

Rodolfo Lunkenbein anunciou o Evangelho entre os indígenas Bororo, no Brasil, e se engajou na defesa de seus direitos. Em 1976, ele e um Bororo foram mortos. Agora, uma possível beatificação se aproxima e seria inédita.

A informação é de Fabian Brand, publicada por katholisch.de, 15-07-2026.

"Eu vim para servir e dar minha vida por isso": este versículo bíblico, inspirado no Evangelho de Mateus, foi escolhido pelo Padre Rodolfo Lunkenbein como lema de sua primeira missa, celebrada em 1969. No fim, o versículo se tornaria o lema de toda a sua vida.

Lunkenbein nasceu em 1º de abril de 1939, em Döringstadt, um pequeno município no distrito de Lichtenfels, na Alta Francônia, Alemanha. Consta que, ainda criança, já sentia o desejo de se tornar missionário. O fator decisivo teria sido a leitura de uma biografia de São João Bosco.

Lunkenbein frequentou o pré-ginásio dos salesianos em Buxheim, na região de Unterallgäu, e, após concluir o ensino médio, foi para o Brasil. Lá, ingressou no noviciado da Congregação Salesiana de Dom Bosco e permaneceu até 1965, período em que também atuou na estação missionária de Meruri.

Uma nova compreensão de missão

De volta à Alemanha, ele começou seus estudos de Teologia na faculdade própria da congregação, em Benediktbeuern. Em 29 de junho de 1969, o então bispo auxiliar de Augsburg, Josef Zimmermann, o ordenou sacerdote. Mas a Alemanha seria apenas uma escala para Lunkenbein: ele voltou a Meruri, onde deveria anunciar o Evangelho, sobretudo, aos indígenas Bororo.

Simão Bororo e o padre Rudolf Lunkenbein serão beatificados juntos – isso seria inédito | Foto: Arquidiocese de Bamberg

Entre sua primeira estadia no Brasil e sua atuação posterior, porém, algo decisivo havia acontecido: o Concílio Vaticano II apresentara, em Roma, com o decreto Ad Gentes, uma nova compreensão da missão. Sobre os missionários, o documento afirma, entre outras coisas: "O missionário deve ser cheio de iniciativa, perseverante na execução das obras empreendidas, e paciente diante das dificuldades. Deve aprender, com paciência e fortaleza de ânimo, a suportar a solidão, o cansaço e os fracassos."

Justamente em conexão com a Teologia da Libertação, que se tornava cada vez mais presente no Brasil no final dos anos 1960, essa nova compreensão de missão significava: engajamento pelos pobres e pela libertação das pessoas da exploração, da opressão e de um sistema de violência.

Morte em conflito por direitos à terra

Para Rodolfo Lunkenbein, essas ideias eram norteadoras. Ele não apenas se tornou membro do "Conselho Missionário para os Povos Indígenas", como também se empenhou para integrar elementos indígenas à liturgia. Seu compromisso especial era com os Bororo, que, em 1973, o acolheram em sua tribo dando-lhe o nome de "Peixe Dourado". Lunkenbein havia aprendido a língua deles e os apoiava de diversas formas. Ele se empenhava, sobretudo, para que grandes proprietários de terra não se apropriassem das terras dos indígenas.

Foi nesse contexto que Lunkenbein encontrou a morte: o conflito pelos direitos territoriais dos Bororo se intensificou quando grandes proprietários de terra apareceram com seus capangas. No tumulto, houve disparos. Em 15 de julho de 1976, Rodolfo Lunkenbein e o Bororo Simão Cristino Koge Ekudugodu, que tentava proteger o padre missionário, foram assassinados. Pouco depois, ambos já eram venerados como mártires.

Em 2016, surgiu o impulso para um processo de beatificação, com a coleta dos primeiros documentos e testemunhos sobre Rodolfo Lunkenbein e o Bororo Simão. Em janeiro de 2018, foi aberto, em Meruri, o processo diocesano necessário para a beatificação. No fim de 2025, houve um primeiro parecer positivo do órgão vaticano responsável pelos processos de beatificação e canonização.

A beatificação seria inédita

Caso a beatificação realmente aconteça, ela será inédita: pela primeira vez na história da Igreja, seria homenageado não apenas um missionário, mas também um membro daquele povo indígena que entrou em contato com a fé cristã.

Com isso, também ficaria evidente, de forma renovada, a compreensão de missão de Lunkenbein: ela era marcada pela convicção de que os povos indígenas têm sua própria história e cultura, que precisam ser integradas à fé cristã. Foi por esse empenho que o padre nascido em Döringstadt entregou sua vida. Em plena sintonia com o lema de sua primeira missa.

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