México se destaca entre os países da OCDE que estão aumentando o salário mínimo de forma constante

Claudia Sheinbaum, presidenta de México. (Foto: Eneas de Troya/Flickr)

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09 Julho 2026

Os efeitos do aumento desde 2021 e da reforma da "externato" começam a refletir-se nas medições da organização multilateral.

A reportagem é de Sonia Corona, publicada por El País, 08-07-2026.

O aumento do salário mínimo no México desde 2021 começou a se refletir nas medições da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A organização multilateral — composta por 38 economias em todo o mundo — indicou na terça-feira que o país latino-americano ocupa o quarto lugar entre as nações com os maiores aumentos salariais desde 2021.

Naquele ano, o México implementou um aumento de dois dígitos no salário mínimo, juntamente com uma reforma trabalhista que limitou o trabalho terceirizado, também conhecido como outsourcing. “Os salários reais no México continuaram a crescer fortemente”, observa a OCDE em seu relatório Perspectivas do Emprego 2026.

O salário mínimo nominal no México aumentou 122,3% desde janeiro de 2021, segundo a OCDE. Em comparação com o ano anterior, o indicador subiu 8,6% no último ano, enquanto a média dos países da OCDE é de 2,7%. O salário mínimo atual é de 315 pesos por dia (US$ 18) em todo o país e de 440 pesos por dia (US$ 25) na região da fronteira norte. A segunda maior economia da América Latina só fica atrás de países como Turquia, Hungria e Polônia em crescimento salarial nos últimos cinco anos.

Crescimento dos salários reais

Dados entre o primeiro trimestre de 2021 e 2026. Em percentagem do crescimento acumulado.

Posição do México entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).  (Fonte: OCDE. Tabela: El País)

O emprego no México permanece estável, com uma taxa de desemprego de 2,7%, a segunda mais baixa entre os países membros da OCDE. Além disso, o país apresenta uma taxa de participação na força de trabalho de 65,1%, apesar de metade do emprego total ainda ser informal. A OCDE observa em seu estudo que a maioria das economias apresenta sinais de fragilidade na criação de empregos e escassez de mão de obra. Os dados sobre o México o posicionam como um dos países mais resilientes em um ambiente global impactado por mudanças políticas e econômicas. "A participação das mulheres aumentou ligeiramente, de 51,2% para 51,3%, enquanto a participação dos homens diminuiu de 81,3% para 80,6%, resultando em uma modesta redução da disparidade de gênero na participação na força de trabalho", acrescenta o estudo.

Durante o governo de Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), o México alterou significativamente sua política de aumento do salário mínimo. Seu governo elevou os salários em dois dígitos e questionou o potencial impacto dessa medida sobre a inflação. A atual presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, continuou a aumentar os salários, apesar dos pedidos de alguns líderes empresariais para que os aumentos fossem moderados.

Uma das razões pelas quais o governo mexicano continua a pressionar por aumentos salariais está relacionada ao Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Ambos os países solicitaram ao governo mexicano que aumentasse os salários para harmonizar os padrões trabalhistas na América do Norte. Os salários no México ainda estão muito aquém dos de seus parceiros: nos Estados Unidos, o salário mínimo é de US$ 7,25 por hora, enquanto no Canadá é de US$ 12,79 por hora.

O estudo da OCDE também observa que os efeitos da reforma da terceirização de 2021 estão mudando o cenário do emprego no México. Com uma legislação mais rigorosa que proíbe a subcontratação, os trabalhadores estão encontrando empregos mais estáveis, com menor risco de demissão injusta. “Esse endurecimento das regulamentações reflete principalmente as reformas recentes destinadas a combater o uso indevido do trabalho temporário e da subcontratação, em especial a proibição do trabalho por meio de agências de trabalho temporário, introduzida em abril de 2023. Espera-se que essa reforma ajude a reduzir a dualidade do mercado de trabalho, limitando o uso de contratos de trabalho temporário”, afirma a OCDE em seu relatório.

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