02 Julho 2026
O governo espanhol junta-se à França e à Alemanha na rejeição da empresa de Peter Thiel. O Palácio de Moncloa teria ordenado às empresas da SEPI que não desenvolvam novos projetos com a Palantir.
A reportagem é publicada por El Salto, 01-07-2026.
O site El Confidencial, que tem fortes ligações com empresas como a Telefónica, publicou hoje, 1 de julho, citando diversas fontes de empresas do grupo SEPI (State Industrial Holdings Company), que o governo de Pedro Sánchez ordenou que não sejam assinados novos contratos com a Palantir, empresa de vigilância digital de Peter Thiel ligada a massacres como o da escola de Minab, no Irã.
O artigo, escrito por Agustín Marco, afirma que diversas fontes confirmam a ordem de rescisão de todos os contratos com a empresa "devido a receios de uso indevido de informações confidenciais relacionadas à segurança nacional". A proibição afeta empresas controladas pela Empresa Estatal de Participações Industriais (SEPI). Entre elas, estão a Indra e a Telefónica, líderes em seus respectivos setores, além dos Correios (Correos) e da Navantia (empresa espanhola de construção naval). A reportagem cita que um acordo com a empresa de navegação e outro com a Guarda Civil foram afetados por esse veto.
Em outubro de 2023, foi revelado que o Ministério da Defesa havia concedido à Palantir um contrato de € 16,5 milhões para desenvolver sistemas de análise e fusão de dados utilizando tecnologias baseadas em inteligência artificial. Embora não tenha sido anunciado oficialmente, o acordo foi associado ao controle migratório na fronteira sul, especificamente nas Ilhas Canárias, Ceuta e Melilla.
Embora as declarações de Peter Thiel, fundador da empresa, e do CEO da Palantir, Alex Karp, que se intensificaram em termos de supremacia branca e apoio ao genocídio, tenham influenciado as sociedades europeias a reconsiderar os acordos firmados com a empresa americana, a realidade é que a entrada da Palantir no setor de sistemas de segurança e defesa acarreta riscos. A oferta da empresa inclui sistemas de segurança altamente tecnológicos, que vão desde previsão e vigilância até tomada de decisões (semi)automatizada, mas também implica o acúmulo de informações sensíveis e sigilosas, bem como de dados.
A menor dependência dessa empresa, que motivou a retirada anunciada pelo El Confidencial, coincide com movimentos semelhantes na Europa. Em junho, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou a substituição das ferramentas da Palantir na DGSI, a agência nacional de inteligência francesa, para reduzir a "dependência estratégica" de um parceiro que compartilha a mesma agenda do presidente americano Donald Trump, conhecido por atacar seus aliados.
Países como Alemanha, Dinamarca e Holanda já declararam seu apoio à redução da dependência dos produtos da empresa de Thiel e Karp. A Suíça rejeitou ofertas para entrar no mercado, e o Reino Unido também começou a diminuir sua dependência da Palantir, que, entre outros laços, deixou parte do sistema de saúde do país nas mãos dessa empresa. Robert Reich, ex-secretário do Trabalho durante o governo Obama, chamou a Palantir de "a empresa mais perigosa da América", citando, entre outros motivos, o uso de seu software pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para perseguir e reprimir imigrantes e cidadãos americanos.
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