Uma avaliação científica aponta para a causa “inequívoca” da onda de calor que assola a Europa

Foto: Wikimedia Commons

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26 Junho 2026

As temperaturas atingidas durante esta onda de calor na Espanha e na Europa "teriam sido praticamente impossíveis" nesta época do ano sem o efeito das mudanças climáticas, de acordo com uma avaliação rápida feita por cientistas da World Weather Attribution (WWA).

A informação é de Raúl Rejón, publicada por El Diario, 26-06-2026. 

Nos últimos dias, mais de 90 milhões de europeus enfrentaram temperaturas acima de 35°C e cerca de 350 milhões registraram temperaturas acima de 30°C. O calor extremo atingiu a Espanha, a França, a Grã-Bretanha e a Alemanha, e continuará a se espalhar para o leste do continente nos próximos dias.

A análise da WWA revela que 45% das 854 cidades com pelo menos 50.000 habitantes avaliadas atingiram níveis recordes de estresse térmico durante este período: a combinação de temperatura e umidade que afeta a capacidade do corpo de se resfriar através da transpiração. Na Espanha, esses picos se concentraram ao longo da costa cantábrica, onde os moradores enfrentaram dias com temperaturas chegando a 40°C, uma situação altamente anômala para a qual nem a população nem as cidades estão preparadas.

Esses cientistas explicam que esse nível de calor e umidade era impensável há apenas 50 anos e que "a mudança climática é inequivocamente a culpada". Em outras palavras, "o impossível agora se tornou possível".

Theodore Keeping, pesquisador de eventos climáticos extremos do Imperial College London, destaca que "o conhecimento científico sobre como as mudanças climáticas estão agravando as ondas de calor está muito bem estabelecido: as emissões de combustíveis fósseis são diretamente responsáveis pelos transtornos que as pessoas estão enfrentando esta semana em suas casas, escolas ou locais de trabalho".

Keeping também alerta que "a velocidade da mudança é impressionante. A cada poucos anos, vemos recordes sendo quebrados na Europa". Enquanto isso, sua colega da mesma instituição, Friederike Otto, insiste que "os cientistas parecem um disco riscado, mas nós, humanos, somos os culpados pela situação devido às mudanças climáticas; não se trata de fenômenos como o El Niño". Na verdade, o relatório inclui uma conclusão: "A análise revela que a oscilação El Niño não teve influência nesse aumento de temperatura."

Mortes relacionadas ao calor

O que esta equipe enfatiza é que as mudanças climáticas tornaram as temperaturas noturnas escaldantes medidas nos últimos dias "cem vezes mais prováveis" do que exatamente 23 anos atrás, durante a onda de calor mortal de 2003 na Europa. Em relação às temperaturas máximas diurnas, os analistas acreditam que elas agora são "dez vezes mais prováveis" do que naquela época.

A onda de calor que atingiu o continente deixou um rastro de mortes. O Ministério da Saúde estima que até 212 óbitos sejam atribuíveis ao calor extremo registrado entre domingo e quarta-feira. Na França, 48 pessoas morreram afogadas enquanto nadavam na tentativa de se refrescar.

À luz desses dados, Carolina Pereira, diretora do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, enfatiza que "as pessoas na Europa estão agora muito mais conscientes dos riscos do calor que enfrentam, mas a conscientização por si só não basta. Muitas pessoas ainda vivem e trabalham em locais que não foram projetados para essas temperaturas".

O chefe da ONU para as mudanças climáticas, Simon Stiell, deixou claro que "a onda de calor extrema que atinge a Europa carrega claramente a marca das mudanças climáticas". Ele insistiu que "enquanto a humanidade continuar queimando quantidades colossais de carvão, petróleo e gás, as ondas de calor extremas só irão piorar".

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