A Igreja na Amazônia pede preparativos para um possível "Super El Niño" e alerta para uma nova emergência climática

Foto: Matt Palmer/Unsplash

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25 Junho 2026

Dom Irineu Roman exorta as comunidades, autoridades e organizações a agirem preventivamente em resposta às previsões científicas que alertam para secas severas, incêndios e crises alimentares na Amazônia.

A reportagem é de Micaela Alejandra Díaz Miranda, publicada por Religión Digital, 24-06-2026.

A Igreja na Amazônia soou o alarme sobre a possível chegada de um grande fenômeno climático. Em carta dirigida a bispos, padres, diáconos e demais líderes religiosos da região amazônica, Dom Irineu Roman, arcebispo metropolitano de Santarém e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) da Região Norte 2, fez um apelo por medidas preventivas em vista das previsões que alertam para um possível Super El Niño.

No documento, datado de 9 de junho de 2026 em Belém, o prelado expressou sua preocupação com os alertas emitidos por cientistas e organizações meteorológicas sobre a evolução climática do planeta, especialmente na Amazônia.

Ele explicou que as previsões indicam um aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico, um fenômeno que pode causar secas severas na Amazônia e no nordeste do Brasil, enquanto outras regiões do continente registrariam chuvas acima da média. “As previsões indicam a chegada de um fenômeno El Niño de proporções extraordinárias, um possível Super El Niño, cujas consequências para a América Latina e o Caribe, e especificamente para o nosso território, podem ser catastróficas”, alertou.

A memória da crise de 2024

O arcebispo lembrou as graves consequências que a região sofreu em 2024, quando uma seca histórica e incêndios florestais afetaram severamente a população amazônica.

“Recordamos com pesar a seca histórica e os incêndios que elevaram nossos níveis de poluição a níveis alarmantes”, observou ele. Essa situação impactou diretamente a saúde de milhares de pessoas, exerceu imensa pressão sobre os sistemas hospitalares e comprometeu atividades essenciais como a navegação fluvial, a pesca e a agricultura familiar.

Entre os problemas mais críticos, ele mencionou que Santarém era considerada "a cidade mais poluída do mundo" naquele período. Ele também enfatizou que o aumento de doenças respiratórias e a insegurança alimentar continuam sendo feridas abertas para muitas comunidades amazônicas.

Ação preventiva

Diante dessa situação, Dom Irineu afirmou que a Igreja não pode permanecer indiferente. “Somos chamados, como Igreja local e comunidades, a agir com prontidão e responsabilidade”, disse ele, enfatizando a necessidade de promover um diálogo preventivo com as autoridades civis e os líderes comunitários.

Embora as chuvas atuais possam gerar uma sensação de calma, o arcebispo alertou que a ciência prevê cenários muito mais severos para os próximos meses.

Portanto, ele propôs reflexão e atuação em três áreas prioritárias: preparar as comunidades para enfrentar os impactos da poluição, da fome e das dificuldades de transporte resultantes da interrupção da navegação em rios e afluentes; fortalecer a soberania alimentar por meio de alternativas resilientes para a agricultura regional; e combater os incêndios florestais, buscando impedir que o fogo continue a ameaçar a biodiversidade e a qualidade do ar na Amazônia.

Debate urgente sobre o cuidado da nossa casa comum

O presidente da CNBB Regional Norte 2 pediu que essas preocupações sejam discutidas com urgência em paróquias, escolas, associações e municípios de toda a Amazônia. “Prevenir é, acima de tudo, um ato de caridade cristã e cuidado com a nossa Casa Comum”, afirmou.

O bispo anunciou uma reunião virtual, cuja data será definida em breve, com o objetivo de aprofundar a análise da situação e construir estratégias conjuntas de resposta aos possíveis impactos climáticos.

A carta conclui com uma invocação ao Espírito Santo para que acompanhe os esforços de proteção da vida e da criação, demonstrando o compromisso da Igreja Amazônica com o cuidado dos povos e ecossistemas da região diante de uma crise climática cada vez mais desafiadora. 

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