Guterres pede transparência sobre custo ambiental da inteligência artificial

Foto: Joshua Sortino/Unplash

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24 Junho 2026

ONU conclui que data centers consumiram em 2025 mais eletricidade do que todos os países, exceto dez, e o consumo crescerá.

 A informação é publicada por ClimaInfo, 23-06-2026. 

Em discurso na Semana de Ação Climática de Londres (LCAW), na 3ª feira (23/6), o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu às empresas de inteligência artificial mais transparência quanto às suas pegadas ambientais. E reforçou que tanto a crise climática quanto a energética são alimentadas pela mesma fonte destrutiva: os combustíveis fósseis.

“Chega de custos escondidos. Chega de impor este fardo aos mais vulneráveis. Se a IA quer contribuir para a construção de um futuro melhor, precisa ser honesta sobre o seu custo atual”, instou, em um momento em que a Europa volta a sufocar sob uma onda de calor.

Guterres anunciou o lançamento da AI Environmental Transparency Initiative, que exige que as grandes empresas de IA divulguem sua pegada ambiental, incluindo emissões de carbono, consumo de água e uso de solo para alimentar suas operações, entre outros indicadores. A iniciativa também propõe que as empresas se comprometam a alimentar suas instalações com energia 100% renovável até 2030, destacam Euronews e RTP.

Um estudo da ONU concluiu que os data centers instalados no mundo consumiram, em 2025, mais eletricidade do que todos os países, exceto dez. E até 2030, poderão consumir mais energia do que todos os países, exceto cinco.

O levantamento salienta que o consumo de água e de energia e a poluição associada à IA devem duplicar em apenas quatro anos, informam Reuters e Business Green.

Em tempo 1

A IA está expondo mulheres a um risco maior de discriminação e violência, alerta a ONU Mulheres. Em comunicado, a entidade cita uma análise da revista científica Stanford Social Innovation Review, que revela que 44% dos 133 sistemas de IA apresentam viés de gênero. Outro levantamento, conduzido pela UNESCO, mostrou que 20% das respostas geradas por IA apresentavam atitudes sexistas e misóginas. Os modelos associavam mulheres a termos como "lar", "família" e "filhos", e homens a "negócios", "executivo" e "carreira", destaca o Business Standard. Algumas IAs descreveram mulheres como propriedades, e isso não é falha de design, mas um padrão documentado em sistemas em larga escala, afirmam especialistas. Dos 138 países avaliados pela ONU Mulheres, apenas 24 mencionam a questão de gênero em suas estratégias nacionais de IA.

Em tempo 2

Em maio, moradores de três pequenas cidades dos Estados Unidos entraram com ações contra data centers por conta do barulho que nunca termina, segundo o New York Times. Os atingidos relatam privação crônica de sono e insônia, dores de cabeça, pressão interna nos ouvidos e ansiedade. Segundo uma análise do Centro de Pesquisas Pew, os EUA possuem mais de 3 mil data centers em operação e outros 1.500 em desenvolvimento, o que faz com que quase 40% das residências no país estejam a pelo menos 8 quilômetros de um deles. O zumbido dos sistemas de refrigeração, o ronco dos geradores e o ruído das ventoinhas podem ser ouvidos - e sentidos - a centenas de metros de distância e até mesmo a mais de um quilômetro, informa O Globo.

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