Usinas a gás fóssil e carvão causarão impacto bilionário nas contas de luz

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02 Junho 2026

A Associação Internacional de Energia Renovável (IRENA) recentemente divulgou um estudo que mostra que a geração de usinas eólicas e solares, combinada com sistemas de armazenamento de energia, não apenas garante eletricidade 24 horas por dia, sete dias por semana, como também já é mais barata do que a energia produzida com combustíveis fósseis em vários países. O Brasil, com sol e vento à vontade, é uma das nações privilegiadas neste cenário, reforça a IRENA.

A informação é publicada por ClimaInfo, 01-06-2026. 

No entanto, medidas do governo e “jabutis” (matérias estranhas ao tema principal) inseridos por deputados e senadores em projetos de lei insistem em beneficiar a geração elétrica a gás fóssil, carvão e até mesmo derivados de petróleo como óleo combustível e diesel. Resultado: além de “sujar” a matriz elétrica nacional, aumentando as emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico brasileiro, essas benesses doerão muito no bolso da população, em uma conta quase trilionária.

Um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) contabiliza que a atual legislatura do Congresso Nacional e o Ministério de Minas e Energia criaram uma despesa extra na conta de luz da ordem de R$ 985 bilhões até 2050, informa a Folha. E cerca de R$ 800 bilhões, ou mais, envolvem a contratação de usinas a combustíveis fósseis ou a extensão de contratos de plantas a carvão que já deveriam ser desmobilizadas, tanto por suas altas emissões quanto por seu custo nas tarifas elétricas.

O risco das soluções pontuais e o tamanho do problema estrutural do setor elétrico brasileiro – que também peca por manter subsídios a fontes renováveis de energia que já não são necessários – estão bem retratados na crise gerada pelo leilão de reserva de capacidade em potência (LRCAP). A forma como o Ministério de Minas e Energia (MME), comandado por Alexandre Silveira, conduziu o certame acabou gerando um custo de R$ 546 bilhões na conta de luz – mais da metade da mega despesa já contratada.

Os defensores dessa contratação argumentam que as usinas a combustíveis fósseis são necessárias para suprir a demanda por eletricidade quando as usinas eólicas e solares não operam devido a limitações de vento e de luz solar. Mas a intermitência pode ser resolvida com a instalação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, sigla em Inglês). Só que o leilão para contratar baterias continua travado no MME. Quando questionado sobre o certame, a pasta de Silveira – e o próprio ministro – já têm uma resposta na ponta da língua: “em 15 dias”. E lá se vão quase três meses.

Marcelo Leite destaca não apenas o estudo da IRENA sobre a competitividade de sistemas híbridos com baterias – também repercutido pela CNN Brasil -, como o levantamento da BloombergNEF que mostra a queda colossal dos custos dos sistemas de armazenamento – 75%, entre 2018 e 2025, e mais 25% projetados até 2035. No momento em que a guerra no Oriente Médio escancara a insegurança energética dos combustíveis fósseis, era de se esperar que o MME corresse para agilizar tal contratação. Ledo engano, reforça Leite na Folha.

“E o governo, o que tem feito nesse cenário? Quase nada. Em 22 de maio, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que publicaria em dias a portaria do primeiro leilão de baterias do país. Até a última sexta-feira (29/5), sua promessa tardia ainda era dívida”, lembra.

Quem sabe nos próximos 15 dias…

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