Com “Semana do Agro”, bancada ruralista assina termo de autodestruição

Foto: Marios Gkortsilas/Unplash

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26 Mai 2026

Especialistas destacam contrassenso de representantes do setor com agenda que fragiliza sua imagem e ganhos político-econômicos.

A informação é publicada por ClimaInfo, 25-05-2026.

As pautas da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) na “Semana do Agro” – aprovadas pela Câmara dos Deputados – servem aos interesses econômicos e eleitoreiros de uma parcela do agronegócio. No entanto, especialistas apontam que os projetos aprovados geram danos para toda a sociedade, incluindo aqueles que os defendem – um verdadeiro termo de autodestruição do agronegócio.

As propostas aprovadas enfraquecem instrumentos de fiscalização ambiental; criam travas setoriais sobre normas ambientais; reduzem a proteção de vegetações nativas não florestais; e fragilizam Áreas Protegidas, explicam Alice Correia, advogada do Instituto Socioambiental, e Mariana Lyrio, assessora de políticas públicas do Observatório do Clima, no Correio Braziliense.

O PL nº 364/2019 pode deixar desprotegidos cerca de 48 milhões de hectares de campos nativos em todo o país, incluindo 50% do Pantanal e 32% do Pampa, ressalta o Instituto Socioambiental. Já o PL nº 2486/2026 não só reduz a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim em 37,4%, como também inclui a possibilidade de exploração mineral na região. Mineração em áreas próximas a bacias hidrográficas, cujos rejeitos podem inviabilizar a produção agrícola no entorno. Ou seja, a “vitória do agro” é um grande equívoco, senão um tiro no próprio pé.

A mudança de uso da terra é o principal fator de emissão de gases de efeito estufa no Brasil. Enfraquecer instrumentos de controle existentes e permitir a aceleração do desmatamento, como propõem os projetos de lei números 2564/2025 e 5900/2025, contribui para agravar as mudanças climáticas e perturbar o regime de chuva, do qual, novamente, o agronegócio é superdependente.

Os projetos aprovados pelos deputados sem qualquer constrangimento colocam em risco biomas, populações, metas de desmatamento zero e o próprio agronegócio, pontua a jornalista Mara Gama no Poder 360. Isso mesmo com os números mostrando que é possível conciliar proteção ambiental com valores positivos ao setor. Afinal, em 2025, o PIB agropecuário registrou crescimento de 12% com desmatamento em queda, lembra o Valor.

Os quatro projetos de lei agora serão apreciados pelo Senado. Como o Observatório do Clima ressalta, resta àquela casa conter o “estouro da boiada”. E aos eleitores, responder nas urnas em outubro próximo.

Em tempo

O agronegócio predatório brasileiro destrói o que vê pela frente, mas sempre quer mais dinheiro público. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve votar hoje (26/5) um projeto que cria uma linha especial de crédito para a renegociação de dívidas do agro, com recursos do Fundo Social do Pré-Sal. A proposta é uma das prioridades da bancada ruralista. O governo tenta fechar um acordo com o relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre quais produtores terão acesso aos recursos e quais serão as condições de pagamento. O Congresso em Foco detalha.

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