Uma reflexão teológica sobre a Ascensão de Cristo. Artigo de Fabian Brand

L'Ascension de Benjamin West (Foto: Wikimedia Commons)

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"A Festa da Ascensão nos ensina: Não podemos reter Cristo, o Senhor ressuscitado. Nem em uma figura de madeira, nem na vela pascal, nem em um lugar fixo. Nem mesmo os discípulos conseguiram fazê-lo quando tiveram que vê-lo ascender aos céus."

O artigo é de Fabian Brand, publicado por katolisch.de, 14-05-2026.

Fabian Brand é editor do Herder Korrespondenz desde 2023. Estudou teologia católica em Würzburg e Jerusalém, doutorou-se em teologia em 2021 e obteve sua habilitação em 2025. É professor de dogmática e história do dogma na Faculdade de Teologia Católica da Universidade de Bochum.

Eis o artigo. 

Onde Deus realmente habita? Onde Ele está presente? A Bíblia não oferece uma resposta simples para essas perguntas. Elas são especialmente importantes no Dia da Ascensão – que não é uma festa de despedidas.

Você ainda está apenas existindo ou está realmente vivendo? O famoso slogan de uma grande loja de móveis sueca certamente é familiar para muitos. E sugere que viver e morar estão intimamente ligados. Quem quer morar em algum lugar precisa de um lugar para morar.

A Bíblia também aborda repetidamente o tema da habitação. "Onde moras?", perguntam os primeiros discípulos a Jesus no Evangelho de João, porque desejam estar com ele. Onde quer que ele more, é ali que eles querem morar, onde querem ficar, para estar perto dele. Contudo, Jesus enfatiza no Evangelho que não tem um lugar de direito neste mundo para permanecer por muito tempo. "As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça", diz ele (Mateus 8:20).

O anseio das pessoas pelo lugar onde Deus habita, onde podem ter certeza de encontrá-lo, torna-se evidente. Isso já se manifesta no Antigo Testamento: o Templo de Jerusalém é apresentado como o lugar que Deus escolheu para ali fazer habitar o seu nome. E na Arca da Aliança, os israelitas acreditavam que Deus estava especialmente perto deles em sua jornada pelo deserto.

Não mais que uma pegada

Onde Deus habita? Onde podemos encontrá-lo? Essas perguntas surgem especialmente na Festa da Ascensão. Pois fica muito claro ali que a morada de Cristo ressuscitado não é aqui na terra. Ele foi exaltado "à direita do Pai", onde reina eternamente. Por meio de sua morte e ressurreição, ele entrou na glória de Deus.

A leitura dos Atos dos Apóstolos, ouvida no Dia da Ascensão, ilustra isso vividamente: os discípulos o observam enquanto ele é elevado ao céu. E, de repente, ele desaparece de sua vista. Nada resta dele neste mundo. Diz-se que ele deixou apenas uma pegada. Essa pegada pode ser encontrada em uma pequena mesquita no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, o próprio lugar onde Cristo ascendeu aos céus.

Antigamente, a Festa da Ascensão era um evento bastante dramático na liturgia: uma imagem de Cristo ressuscitado era içada até o sótão da igreja e a vela pascal era apagada. Isso tinha o propósito de enfatizar que a morada de Cristo ressuscitado não é neste mundo. Ele não pode mais ser encontrado aqui. Podemos procurá-lo o quanto quisermos – não há mais um lugar aqui onde ele habite.

Mas esses eventos encenados contradizem o que o próprio Cristo nos diz: "Estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20). Estas são as últimas palavras que ele dirige às pessoas. Nenhuma palavra sugerindo "Parti para sempre" ou "Não tenho mais para onde ir na Terra". Em vez disso, a promessa de permanecer sempre conosco, de compartilhar a jornada de nossa vida — até o fim deste mundo.

A Festa da Ascensão nos ensina: Não podemos reter Cristo, o Senhor ressuscitado. Nem em uma figura de madeira, nem na vela pascal, nem em um lugar fixo. Nem mesmo os discípulos conseguiram fazê-lo quando tiveram que vê-lo ascender aos céus.

Uma celebração da transformação

Mas temos a firme certeza de que Cristo ainda está ao nosso lado. Que Ele permanece conosco e caminha conosco na jornada da nossa vida. Podemos encontrá-Lo onde menos esperamos. Sua presença se revela repetidamente de maneiras surpreendentes. Portanto, a Ascensão de Cristo não é uma festa de despedida, mas uma festa de transformação. Do Cristo que percorreu a Galileia pregando com seus discípulos, vem o Cristo que, exaltado à direita do Pai, está presente em todos os lugares deste mundo.

Com a Ascensão de Cristo, o Evangelho de Mateus cumpre a promessa feita no início: "A virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel, que significa 'Deus conosco'" (Mateus 1:23). Cristo é o Deus que está conosco, que permanece conosco e que está perto de nós a cada respiração. Ele vive em nosso mundo, nos lugares onde as pessoas se reúnem. Ali, ainda hoje podemos sentir a sua presença.

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