06 Mai 2026
"Condenar o ocorrido e exigir a libertação dos dois ativistas atualmente detidos nas prisões israelenses não é apenas uma obrigação jurídica. É também um ato político e humano: significa reconhecer que a não violência não é fraqueza, mas força que constrói o futuro", escreve Tonio Dell'Olio, padre italiano, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 04-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Um ato grave que deve é preciso ter a coragem de chamar pelo seu verdadeiro nome: pirataria. 180 pessoas sequestradas, 178 libertadas, 32 maltratadas e feridas, duas presas: Saif Abukeshek e Thiago Ávila.
A intervenção das forças israelenses contra a Flotilha Global Sumud, engajada em uma ação civil não violenta em direção a Gaza, representa uma violação do direito marítimo internacional. Nega a liberdade de circulação em águas internacionais. Atacar uma iniciativa desarmada significa cruzar um limite jurídico e moral.
A Flotilha não é uma provocação, mas um gesto de testemunho. Seu objetivo é chamar a atenção para as condições dramáticas da população palestina em Gaza, assolada há anos por uma crise humanitária que questiona a consciência do mundo.
Interrompê-la pela força não cancela essa realidade; pelo contrário, torna-a ainda mais evidente. No entanto, há outro elemento que merece ser defendido e apoiado: o método. A Flotilha Global Sumud encarna uma forma ativa e concreta de não violência, capaz de se expor. Não se limita a denunciar, mas coloca em jogo os corpos, cruza fronteiras e assume o risco para afirmar um direito e uma dignidade negados.
É um caminho exigente, que rejeita a lógica do confronto e busca miná-la por dentro. Condenar o ocorrido e exigir a libertação dos dois ativistas atualmente detidos nas prisões israelenses não é apenas uma obrigação jurídica. É também um ato político e humano: significa reconhecer que a não violência não é fraqueza, mas força que constrói o futuro.
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