A resistência das mulheres. Artigo de Cristina Arcidiacono

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30 Abril 2026

"As mulheres que falam com suas próprias vozes, que atendem a um chamado, muitas vezes também são incômodas; mas a comunidade cresce graças a elas, e sem elas não pode ir a lugar nenhum", escreve Cristina Arcidiacono, teóloga batista, pastora em Milão, Itália, e membro do Conselho do IBTS Amsterdam, em artigo publicado por Riforma, 29-04-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

No dia 25 de abril foi comemorado o 81º aniversário da Libertação da Itália do Nazi-fascismo, em 1945.

No entanto, "somente" em 1976, trinta anos depois, as vozes das mulheres que participaram da Resistência foram reconhecidas, com o livro "La resistenza taciuta" (A resistência silenciada, em tradução livre), no qual os depoimentos de doze mulheres da resistência piemontesa foram transcritos e reunidos por Anna Bruzzone e Rachele Farina.

Benedetta Tobagi, historiadora e jornalista, reuniu esses testemunhos e muitos outros em um podcast, "La Resistenza delle donne: voci partigiane", no qual fala sobre o papel fundamental, porém vezes demais posto de lado, das mulheres na jornada de libertação. As mulheres têm uma voz própria e querem ouvi-la e fazer com que seja ouvida.

Desde fornecer roupas civis aos desertores para salvá-los da prisão e da morte após o armistício de 8 de setembro, até escolher se juntar a um bando ou ser mensageiras, as mulheres relatam como não havia outra escolha para poderem se olhar no espelho com dignidade, falam dos limites, dos preconceitos, da descoberta de seu próprio poder, incluindo o poder de tomar decisões por si mesmas.

Lembrar e ouvir as vozes das mulheres da resistência oferece um olhar sobre o presente: os jovens e as jovens se questionam cada vez mais sobre as dinâmicas das guerras que também invadem as suas existências e encontram nas narrativas das mulheres que resistem das mais diversas maneiras um sentido que vai além da obtusidade e da violência dos homens no poder. As mulheres da Resistência também relatam as dificuldades com seus companheiros homens, a superação de preconceitos e estereótipos que persistem até hoje. "Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós?" Assim, Miriam, irmã de Moisés, se expressa, junto com Aarão, no livro de Números, capítulo 12.

Miriam liderou o povo para fora do Egito, como seus irmãos; seu canto e sua dança estão a serviço do Senhor. Miriam e Aarão criticam a supremacia de Moisés, mas apenas Miriam será punida; ela deverá ser excluída de todas as relações, expulsa do acampamento por uma semana, com uma doença que a torna impura. O povo não continuará seu caminho sem Miriam; a esperará. As mulheres que falam com suas próprias vozes, que atendem a um chamado, muitas vezes também são incômodas; mas a comunidade cresce graças a elas, e sem elas não pode ir a lugar nenhum.

Feliz 25 de abril.

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