22 Abril 2026
Em uma “ação sem precedentes”, 13 navios da Flotilha Global Sumud conseguiram desviar a rota do MSC Maya, um navio porta-contêineres de 400 metros de comprimento que havia partido de Singapura em 21 de março. O navio seguia para os portos israelenses de Ashdod e Haifa, onde deveria atracar em 24 de abril. Segundo a flotilha, o navio transportava matérias-primas “destinadas a abastecer a máquina de guerra israelense”. A operação ocorreu entre a Sicília e a Tunísia.
A reportagem é publicada por El Salto, 20-04-2026.
O navio pertence à Mediterranean Shipping Company (MSC), uma “artéria logística fundamental do aparato militar de ocupação israelense”, denunciaram em comunicado. Apesar de sua aparente neutralidade, os relatos apontam para um “padrão sistemático de transporte de aço-liga de alta qualidade usado na fabricação de artilharia pesada, através de complexos centros de transbordo”.
Por meio do uso de rotas marítimas e portos "opacos" como Singapura, a MSC "facilita o fluxo de matérias-primas que sustentam a indústria militar israelense". Esta ação visa eliminar o "anonimato" e a impunidade com que esta empresa opera, o que, segundo eles, viola as Convenções de Genebra, a Convenção sobre o Genocídio e o Tratado sobre o Comércio de Armas, que obrigam os Estados a interromper as transferências de armas para Estados que violam os direitos humanos e o direito internacional humanitário.
A equipe organizadora da flotilha enfatiza a natureza histórica dessa ação direta: "É a primeira vez na história que uma flotilha civil intervém diretamente para interromper o fluxo marítimo de materiais ligados às operações militares de um Estado."
O movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel havia se concentrado anteriormente em ações de consumidores, bloqueios e protestos em supermercados, ruas, sedes de empresas, fábricas e até portos, mas até agora, nunca havia conseguido desviar um navio em alto-mar. A Flotilha Global Sumud orgulha-se de fazer parte dessa tradição de luta e de tê-la "levado para o mar". Defende também a necessidade e a urgência de sua ação diante da "inércia" de governos que optaram por ignorar as "evidências esmagadoras de atrocidades em massa".
Este não é um “caso isolado”, afirmam, mas um alerta para ampliar a resistência contra o genocídio. “Esta missão envia uma mensagem inequívoca: se os governos não pararem a máquina da violência, o povo o fará”, acrescentam.
As mais de 100 embarcações da Flotilha Global Sumud, com quase três mil participantes, finalmente partiram de Barcelona em 15 de abril, uma partida adiada devido ao mau tempo.
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