26 Março 2026
Por uma teologia política profética e corajosa, que tem suas raízes na Tradição, mas que se deixa macular e arranhar pelas questões que a história atual coloca, sem censura.
O artigo é de Luca Crapanzano, teólogo, publicado por Vino Nuovo, 25-03-2026.
Eis o artigo.
No âmbito de uma teologia da história caracterizada por uma nova leitura dos acontecimentos, decifrados e interpretados com todos os recursos das ciências humanas, o século XX testemunhou o surgimento de uma nova teologia política. Fundamentada numa crítica à filosofia existencial, que inspirou a antropologia rahneriana, esta respondeu à visão personalista e existencialista propondo uma teologia do mundo e da sociedade. Esta é uma necessidade urgente ainda hoje — segundo o pesquisador Antonio Albanese —, em que os fenômenos religiosos e a própria fé buscam cada vez mais ser relegados à esfera pessoal, em detrimento da pública. A intenção esclarecedora do teólogo alemão Johann Baptist Metz (1928-2019), seu fundador, emerge como uma premissa no próprio título que precede a nova elaboração do projeto de teologia política: Glaube in Geschichte und Gesellschaft (Fé na História e na Sociedade). Essa reinterpretação, que se seguiu à publicação do primeiro artigo em 1967, o qual o próprio autor, sob pressão dos críticos, havia indicado como a primeira expressão da Teologia Política, reavaliou a relação da Igreja com o mundo, por meio de um reexame da dimensão política do homem no sentido mais estrito da palavra: um ser histórico que realiza sua essência somente em relação à sociedade.
O homem só se torna ele mesmo por meio da mediação da política; se é que a política é o que melhor define a totalidade da existência humana. Diante disso, uma separação total entre fé e política só seria possível em nome de uma concepção abstrata do amor cristão ou de uma deriva individualista e idealista do sujeito humano. Isso apresenta um dilema que tem assolado o cristianismo contemporâneo: por um lado, o risco de politizar a fé com seu uso mais vulgar (cf. Trump criando o Escritório da Fé para usar a religião como legitimação do poder e, simultaneamente, transformando o Ministério da Defesa em Ministério da Guerra); por outro, uma neutralidade social e política que relega a fé, e sua reflexão teológica, a uma esfera privada completamente indiferente ao condicionamento sociopolítico, com o risco de não mais cumprir a função profética do cristianismo. Em outras palavras, e para enquadrar a questão historicamente, perguntamo-nos se é necessário tomar partido dos mais fracos quando esses mais fracos são povos oficialmente aniquilados por consenso político internacional. Tomar partido significaria posicionar-se, levantar a voz, denunciar as injustiças políticas e não simplesmente proferir frases que soam como cuidados paliativos para um paciente terminal ou o apelo à paz para todos da recém-coroada Miss Itália. Pode-se amar "de maneira cristã" proferindo frases vazias?
O teólogo alemão Johann Baptist Metz expressou magnificamente essa tarefa crucial por meio de um caminho reconstruído sobre esta opção fundamental: "A inspiração para uma nova teologia política surgiu da questão da possibilidade de uma 'teologia do mundo', na relação do mundo moderno com seus processos". É nessa tensão que uma teologia política profética e corajosa deve se desenvolver, enraizada na Tradição, mas aberta a ser contaminada e minada pelas questões que a história atual coloca sem censura: o colapso do direito internacional, a voz do mais forte impondo-se arrogantemente ao mais fraco, o choque das armas abafando o grito de homens e mulheres aniquilados em sua dignidade. Não seria essa, talvez, a urgência da questão que a teologia deveria ao menos abraçar como uma perspectiva de pesquisa?
Após a morte de Metz em 2 de dezembro de 2019, o New York Times publicou um obituário no qual o teólogo alemão foi reconhecido como um "pioneiro do diálogo judaico-cristão após Auschwitz". Durante sua vida, opiniões e avaliações sobre ele foram diametralmente opostas: "Alguns o consideram a estrela cadente de uma teologia crítica e cosmopolita; outros o veem como um agitador marxista, um inimigo da Igreja". O horizonte de Metz é precisamente o da secularização, que considera o mundo como o principal locus teológico para compreender a dinâmica da teologia política. A secularização tem sido, portanto, interpretada como um movimento que provocou uma ruptura com a escolha religiosa tradicional, em uma afirmação de uma visão que não está mais vinculada a normas preestabelecidas. É por isso que houve uma virada na concepção de mundo: a transição de um mundo divinista para um mundo moldado ao homem, não mais atemporal, mas sim um "mundo que surge da história". Estamos testemunhando uma mudança antropocêntrica no mundo que não representa uma crise de fé, mas sim uma nova possibilidade, uma nova oportunidade para falar de Deus. Temos a criatividade e a liberdade de proclamar!
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