17 Março 2026
A reação negativa online está dissociada da realidade no terreno: o franciscano alemão Thomas Freidel testemunha em primeira mão, em Assis, como os visitantes se deparam com as relíquias de São Francisco. Ele não vê motivo para indignação nisso.
A informação é publicada por katolisch.de, 17-03-2026.
O frade franciscano alemão Thomas Freidel rejeitou as críticas à exposição dos restos mortais de São Francisco em Assis. Termos como "sacrilégio" ou "perturbação da paz dos mortos" claramente não correspondem à realidade, disse o sacerdote ao portal de notícias "domradio.de", de Colônia, na terça-feira. O franciscano explicou que as críticas decorrem de diferenças culturais: "No sul da Itália, as pessoas estão acostumadas a poder ver os corpos dos santos."
"Nunca experimentei um contraste tão grande entre essa percepção externa e o que estamos vivenciando aqui", continuou Freidel. Enquanto a indignação toma conta das redes sociais, milhares de visitantes em Assis estão experimentando "uma atmosfera de oração, reflexão, contemplação, admiração e alegria".
Observando fixamente ou rezando?
O monge também rejeita veementemente a acusação de sensacionalismo: "Alguns podem pensar que é apenas 'curiosidade'. Mas a realidade é bem diferente." Imagens da internet transmitem uma imagem distorcida. Freidel também enfatiza a dimensão religiosa: Francisco não está "nestes ossos", mas vive "em eterna perfeição com Deus". A veneração dos restos mortais é, em última análise, para o próprio Deus.
Para marcar o 800º aniversário da morte de Francisco de Assis (c. 1182–1226), fundador da Ordem Franciscana, seus restos mortais estão sendo exibidos ao público pela primeira vez. No dia 22 de fevereiro, um caixão de acrílico contendo seus ossos foi transferido da cripta da basílica em Assis, Itália, para a igreja inferior, onde permanecerá em exposição até 22 de março.
Thomas Freidel é o capelão dos peregrinos de língua alemã em Assis. Natural da região do Palatinado, ele ocupa esse cargo desde 2008.
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