14 Março 2026
Além de lamentarem a ausência de moralidade e legalidade, a arrogância e as ideologias de poder dominantes, oito organismos ecumênicos internacionais “expressam profunda preocupação com os impactos humanitários e sociais do crescente conflito no Oriente Médio e a ameaça que ele representa para a paz e a segurança da região e do mundo”.
A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.
“Como cristãos, não reconhecemos nenhuma licença divina para matar, destruir, deslocar ou ocupar. Proclamamos a dignidade humana e os direitos concedidos por Deus a todas as pessoas. Rejeitamos a lógica brutal da guerra e da dominação. Buscamos o dom da paz”.
Nessa busca, os organismos que emitiram o posicionamento – Conselho Mundial de Igrejas, Conselho de Igrejas do Oriente Médio, Federação Luterana Mundial, Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, Conselho Metodista Mundial, Conferência Mundial Menonita, Conferência Cristã da Ásia, ACT Aliança – pedem às igrejas que orem pela paz no Oriente Médio e em todos os lugares do mundo onde há conflitos e lutas.
Nesse conflito e no contexto global mais amplo, líderes cristãos de diferentes famílias lamentam a “ausência de moralidade e legalidade, a arrogância e as ideologias de poder predominantes, e a substituição da consciência pela conveniência política”. Levantam sérias preocupações quanto à segurança e ao bem-estar dos civis, lembrando a morte de 175 alunas e funcionárias em um ataque de mísseis a uma escola feminina na cidade de Minab, no sul do Irã.
“Os riscos humanitários e o sofrimento inevitavelmente aumentarão quanto mais tempo esse conflito se prolongar”, alertam. Afora isso, o conflito pode resultar em novo período de violência e instabilidade prolongadas em toda a região. Bairros no Líbano sofreram destruição; o Iraque também foi afetado pela escalada regional; ataques retaliatórios iranianos impactaram países do Golfo, como o Chipre e o Azerbaijão.
Esses ataques e suas consequências – como o impacto na vida e nos meios de subsistência de pessoas, comunidades e sociedades – causarão, provavelmente, deslocamentos populacionais numa região que já apresenta um número elevado de deslocados. Os ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos são ilegais sob o direito internacional e constituem uma violação flagrante da Carta da ONU, “criada precisamente para proteger os povos do mundo do flagelo da guerra”.
Ao trilharem o caminho da guerra, “Israel e os Estados Unidos da América não podem ter permissão para, mais uma vez, criar devastação e chamar isso de paz. Devem assumir a responsabilidade pelas consequências de seus atos, incluindo as consequências para o futuro do povo iraniano, cuja liberdade alegam promover”.
A declaração das oito organizações ecumênicas apela por um cessar-fogo imediato, a retomada urgente do diálogo diplomático e políticos por meio dos mecanismos internacionais e regionais, e pelo cumprimento, por todos os Estados, de suas obrigações perante o direito internacional.
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