Pesquisa revela que apenas um em cada quatro americanos apoia ataques de Trump ao Irã

Foto: RS/Fotos Públicas

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03 Março 2026

Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que maioria dos americanos desaprova ofensiva militar e teme impacto político, econômico e novas baixas no Oriente Médio.

A reportagem é de Gustavo Kaye, publicada por Agenda do Poder, 03-03-2026.

A maioria dos norte-americanos não apoia os ataques ordenados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã. É o que aponta levantamento da Reuters em parceria com o Instituto Ipsos, divulgado nesta segunda-feira (2).

Segundo a pesquisa, apenas 27% dos entrevistados disseram aprovar a ofensiva realizada em conjunto com Israel, enquanto 43% afirmaram desaprovar a ação militar. Outros 29% declararam não saber ou preferiram não responder. Ou seja, apenas um em cada quatro americanos aprova os ataques.

O estudo mostra ainda que cerca de metade da população considera que Trump está inclinado demais a recorrer à força militar, ampliando tensões no Oriente Médio em um momento sensível para o cenário político interno dos EUA.

Baixas militares e risco de escalada no conflito

A pesquisa foi concluída no domingo, antes de o Exército dos Estados Unidos confirmar as primeiras mortes na operação. Quatro militares norte-americanos morreram durante a campanha, desencadeando novos ataques com mísseis e drones por parte do Irã contra Israel e bases dos EUA na região.

Além disso, três jatos norte-americanos foram derrubados durante missões de combate. De acordo com as Forças Armadas, as aeronaves teriam sido atingidas por engano pelos sistemas de defesa aérea do Kuwait.

O impacto das baixas pode pesar na opinião pública. Entre os republicanos, 42% afirmaram que seriam menos propensos a apoiar a campanha caso o conflito resulte em soldados mortos ou feridos no Oriente Médio.

Percepção de excesso no uso da força divide partidos

O levantamento revela que 56% dos entrevistados acreditam que Trump está excessivamente disposto a utilizar força militar para defender interesses dos EUA. Entre os democratas, esse percentual chega a 87%. Já entre independentes, 60% compartilham da mesma avaliação, enquanto 23% dos republicanos concordam com essa crítica.

Apesar disso, 55% dos eleitores republicanos disseram apoiar os ataques, contra 13% que desaprovam. O dado indica uma base ainda majoritariamente favorável dentro do partido, mas com sinais de preocupação quanto aos desdobramentos do conflito.

O índice geral de aprovação do presidente caiu para 39%, um ponto percentual abaixo da sondagem anterior realizada entre 18 e 23 de fevereiro, também conduzida pela Reuters/Ipsos.

Eleições e impacto econômico entram no radar

A ofensiva ocorre a poucos dias das primeiras primárias das eleições de meio de mandato, que definirão se os republicanos manterão maioria no Congresso pelos próximos dois anos. O cenário internacional turbulento pode influenciar diretamente o ambiente eleitoral.

Mesmo com a escalada militar, a economia segue como principal preocupação dos eleitores. Cerca de 45% dos entrevistados afirmaram que ficariam menos inclinados a apoiar a campanha contra o Irã caso os preços da gasolina e do petróleo subam nos Estados Unidos.

No mercado internacional, o petróleo Brent registrou alta de 10%, alcançando cerca de 80 dólares o barril no domingo. Analistas avaliam que o valor pode atingir 100 dólares caso o conflito se prolongue, ampliando a pressão inflacionária.

Negociações nucleares e possibilidade de diálogo

Os ataques foram lançados após o fracasso das negociações em Genebra sobre o programa nuclear iraniano. Washington exige que o Irã interrompa totalmente o enriquecimento de urânio, sob a justificativa de que Teerã busca desenvolver armamento nuclear — acusação negada pelo governo iraniano, que afirma ter fins energéticos.

Segundo a pesquisa, cerca de metade dos entrevistados — incluindo um terço dos democratas — afirmou que poderia apoiar os ataques caso a ofensiva leve o Irã a abandonar o programa nuclear.

No domingo, Trump declarou que a nova liderança iraniana estaria disposta a dialogar e que ele concordou com a possibilidade de conversas, conforme entrevista concedida à revista The Atlantic.

O levantamento foi realizado online com 1.282 adultos em todo o território norte-americano e possui margem de erro de três pontos percentuais.

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