Estudo identifica agrotóxicos na água potável de 52% dos municípios de SC

Foto: Dinuka Gunawardana | Pexels

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

02 Março 2026

A pedido do Ministério Público de Santa Catarina foram feitas análises da água tratada e distribuída entre 2018 e 2023 nos municípios catarinenses. Do total de 295 municípios do estado, 155 apresentaram pelo menos um ingrediente ativo de agrotóxicos.

A reportagem é de Luigi Pinzetta, publicada por ExtraClasse, 24-02-2026.

Os dados revelam a presença de um a três componentes de agrotóxicos na maioria dos municípios. Em Ituporanga e Imbuia, na região do Vale do Itajaí, os números foram significativos: 23 e 17, respectivamente, incluindo os de uso proibido no Brasil.

O herbicida 2,4-D é a substância de maior incidência nas águas catarinenses. Identificado em 81 municípios, é utilizado no controle de plantas daninhas que infestam as culturas de arroz, milho, soja, trigo e pastagens.

De acordo com a bula do fabricante, o 2,4-D é um agrotóxico perigoso ao meio ambiente (classe III) e um produto altamente móvel, apresentando potencial de deslocamento no solo e podendo atingir principalmente águas subterrâneas.

No ser humano, os efeitos associados à exposição ao herbicida incluem câncer de estômago, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e infertilidade.

Conforme noticiado no Extra Classe, em setembro de 2025, a Vara do Meio Ambiente Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu o uso do 2,4-D por 120 dias na região da Campanha no Rio Grande do Sul. A justiça tomou a medida após contaminação nas lavouras de uva, maçã, oliveiras e nozes-pecã, gerando prejuízo milionário aos agricultores.

Agrotóxicos proibidos encontrados

Do total de 42 agrotóxicos mapeados, 20 estão banidos na União Europeia. Além disso, foram encontrados em alguns municípios concentrações mais de 200 vezes maiores do que as permitidas na União Europeia.

O estudo evidencia que mesmo após o banimento de agrotóxicos como benomil, carbofurano, haloxifope metílico, metolacloro e molinato no Brasil, os ingredientes ativos ainda são aplicados na agricultura catarinense e contaminam a água e os ecossistemas.

A Anvisa baniu as substâncias após avaliações toxicológicas que identificaram risco à saúde humana e ao meio ambiente. O uso ainda ocorre de forma irregular, sobretudo por entrada ilegal no país, já que parte delas autorizada em outros mercados e é comercializada no exterior.

Os efeitos associados à exposição a agrotóxicos incluem a mortalidade por câncer por 100 mil habitantes, a mortalidade por suicídio e a incidência de anomalias congênitas em recém nascidos.

Leia mais