27 Fevereiro 2026
Carreira, relacionamentos – insegurança? Freiras do século XVI ofereciam conselhos sábios e muito relevantes. Dois pesquisadores descobriram isso e escreveram um guia.
A reportagem é de Christiane Laudage, publicada por Katholisch, 26-02-2026.
"Tudo o que você está passando agora, uma freira já passou", observam Ana Garriga e Carmen Urbita. As duas acadêmicas escreveram o livro de autoajuda "Sabedoria conventual: como as freiras do século XVI podem mudar sua vida". Conselhos de vida de freiras do século XVI? Sim, enfatizam as duas autoras e podcasters. "Você precisa escrever um e-mail confiante?", perguntam. "Você foi traída? Seu corpo não está cooperando?" – "As freiras sempre têm uma resposta", afirmam Garriga e Urbita.
Sabedoria conventual: como as freiras do século XVI podem mudar sua vida, livro de Ana Garriga e Carmen Urbita. (Gutkind Verlag, 2026)
As duas mulheres se conheceram como estudantes de doutorado na Universidade Brown, na costa leste dos EUA. Apesar do interesse mútuo pela Igreja Católica, elas não escolheram a vida religiosa, mas sim carreiras acadêmicas – descobrindo, inclusive, que havia áreas de convergência entre seus interesses.
"O voto de pobreza que fizemos ao nos tornarmos doutorandas era praticamente o mesmo das rigorosas freiras carmelitas descalças", afirmam com um toque de ironia. "Nossa subordinação acadêmica aos nossos professores e orientadores era tão incondicional quanto o voto de obediência de uma freira." E quanto ao voto de castidade: "Quando você passa seis anos cursando um doutorado em Providence, capital de Rhode Island, a castidade é praticamente um pré-requisito."
Análises perspicazes
As duas acadêmicas debruçaram-se sobre densos volumes de material de pesquisa para suas teses de doutorado, material que dificilmente alguém mais se atreveria a abordar. No decorrer de suas pesquisas, depararam-se com a descoberta inesperada de que "um grupo de freiras carmelitas descalças espanholas do século XVI era capaz de analisar as armadilhas da nossa cultura de encontros amorosos atual com mais perspicácia do que qualquer episódio de 'Sex and the City'". Ou ainda, que "os conselhos de carreira de Oprah Winfrey jamais chegariam perto das lições de uma freira mexicana sobre como lidar com chefes difíceis".
No livro de autoajuda "Convent Wisdom" (Sabedoria conventual), Garriga e Urbita abordam questões essenciais da vida: "Amigos", "Trabalho", "Corpo", "Amor", "Dinheiro", "Alma" e "Fama". Esses termos-chave do desenvolvimento pessoal moderno são respondidos com histórias e conselhos de freiras da Espanha, Itália, México e do antigo império colonial da Nova Espanha.
Como um amigo inconveniente
Garriga e Urbita apresentam uma série de freiras notáveis, começando por Teresa de Ávila (1525-1582). A santa carmelita, mística e Doutora da Igreja foi uma das figuras mais famosas da Espanha do século XVI. "Teresa era uma negociadora habilidosa, trabalhadora, indomável e honesta", escrevem os autores. E: "Teresa é a amiga que lhe diz o que você não quer ouvir – e que o guia tanto em negociações de hipotecas quanto nos altos e baixos de amizades tóxicas."
Ou Sor Juana Inés de la Cruz (1648-1695). Ela estampa a nota de 200 pesos mexicanos, é a heroína de uma série da Netflix e é, sem dúvida, uma das figuras mais icônicas da cultura pop latino-americana, segundo os autores. Essa poetisa e filósofa pode ajudar a pessoa a se libertar da necessidade de agradar a todos e a escrever e-mails desagradáveis.
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