15 Fevereiro 2026
No México, existem mais de 4.500 valas clandestinas onde foram encontrados mais de 6.200 corpos e 4.600 restos mortais, mas os números variam entre as autoridades e não há registros públicos claros sobre valas comuns e os locais onde o Estado mantém milhares de corpos não identificados, alertaram especialistas na terça-feira.
A reportagem é publicada por Swissinfo, 11-02-2026. A tradução é do Cepat.
Ao apresentar a atualização mais recente da Plataforma Cidadã de Valas, as especialistas concordaram que a magnitude da crise forense no México é difícil de avaliar devido às discrepâncias entre os registros oficiais da Procuradoria-Geral da República (PGR), das procuradorias estaduais e as reportagens da imprensa.
No México, as valas comuns são administradas pelo Estado em necrotérios ou cemitérios públicos e gerenciadas por promotorias e serviços forenses para o sepultamento de corpos não identificados ou não reclamados, enquanto as valas clandestinas estão associadas ao crime organizado e são localizadas em áreas rurais ou em esconderijos de criminosos, onde vítimas de homicídio e desaparecimento forçado são ocultadas.
Entre 2006 e 2024, as promotorias estaduais registraram 5.532 valas clandestinas, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) reconheceu apenas 630 valas no mesmo período, uma diferença de 4.902 locais, segundo a plataforma.
Durante o mesmo período, as promotorias estaduais registraram a exumação de 6.998 corpos e 6.122 fragmentos de restos mortais, concentrados em Jalisco (1.120 corpos – 36%), Sonora (894) e Guanajuato (506).
No entanto, fontes jornalísticas documentaram 3.637 valas comuns e 8.541 corpos, sugerindo que algumas das descobertas não foram relatadas pelas autoridades, de acordo com registros de cidadãos.
Pamela Benítez, analista de dados da organização Data Cívica, apontou que, no Estado de Guerrero, o número de valas comuns entre 2013 e 2021 diminuiu no relatório de 2024 em comparação com o de 2023, um padrão que, segundo ela, se repete em Sinaloa e outros Estados do país.
Ela também observou discrepâncias significativas entre as autoridades, como ocorreu em 2024, quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) relatou 18 descobertas em todo o país, em comparação com 786 relatórios das procuradorias estaduais.
“O México enfrenta um desastre forense sem precedentes. Milhares de corpos não identificados permanecem sob custódia do Estado em valas comuns, cemitérios ministeriais e necrotérios”, afirma o relatório.
Da falta de transparência ao desaparecimento forçado
Edith Hernández, integrante do coletivo Regresando a Casa Morelos, denunciou a ocultação sistemática de informações das autoridades sobre as valas comuns, apesar da obrigação do Estado mexicano de tornar esses dados transparentes.
“Chamamos isso de desaparecimento forçado porque o Estado e as autoridades estão de fato envolvidos em ocultar esses corpos, e a prova disso é que escondem informações sobre a localização das valas ou quantos corpos há em cada uma”, alertou.
O México tem mais de 133.000 pessoas desaparecidas, segundo dados do Registro Nacional de Pessoas Desaparecidas e Não Localizadas (RNPDNO), que monitora desaparecimentos desde a década de 1950. Além disso, estimativas oficiais apontam para aproximadamente 72.000 restos mortais não identificados no país.
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