14 Janeiro 2026
O presidente garante que, a partir de fevereiro, seu governo não fará "nenhum pagamento" a jurisdições que limitem a cooperação com as autoridades federais de imigração.
A reportagem é de Abel Fernández, publicada por El País, 13-01-2026.
O presidente Donald Trump ameaçou na terça-feira cortar o financiamento federal para as chamadas cidades-santuário ou para os estados onde essas cidades estão localizadas, em um novo impasse com jurisdições governadas por democratas que resistiram à sua agenda de imigração.
“A partir de 1º de fevereiro, não faremos nenhum pagamento a cidades-santuário ou estados que tenham cidades-santuário, porque eles fazem tudo o que podem para proteger criminosos às custas dos cidadãos americanos. E isso gera fraude, crime e todos os outros problemas que vêm com isso. Portanto, não faremos nenhum pagamento a ninguém que apoie cidades-santuário”, disse o republicano durante um discurso no Detroit Economic Club.
Trump afirmou ter notificado com 90 dias de antecedência "lugares como a Califórnia", que cobram do governo federal os custos relacionados à entrada de imigrantes no estado. "Nenhum país pode se dar ao luxo de acolher milhões de pessoas e pagar por sua educação, sua saúde e seus hospitais", declarou o presidente, acrescentando que "muitos desses indivíduos são assassinos, pessoas libertadas de cadeias, prisões, instituições psiquiátricas e asilos. Há traficantes de drogas. São viciados."
Esta é a mais recente escalada nos esforços do governo para impor suas políticas anti-imigração em cidades e estados governados por democratas. O governo tem encontrado forte resistência das autoridades estaduais e locais em grandes cidades sob controle democrata, onde mobilizou tropas da Guarda Nacional e agentes federais, alegando aumento da criminalidade como justificativa.
O presidente apresentou as deportações em massa como uma forma de proporcionar alívio econômico aos americanos, ao mesmo tempo que começou a delinear planos para lidar com o problema da acessibilidade financeira, um ponto vulnerável de seu governo que os democratas têm explorado. Trump também afirmou na terça-feira que os preços estão caindo e defendeu sua agenda econômica diante do aumento do custo de vida.
Nas últimas semanas, o presidente afirmou que proibirá as empresas de possuírem grandes quantidades de propriedades, obrigará os bancos a limitar as taxas de juros dos cartões de crédito a 10% e continuará pressionando por preços mais baixos do petróleo.
O presidente ordenou operações de imigração em larga escala, lideradas pelo Departamento de Segurança Interna, com o envio de milhares de agentes federais para cidades com leis de santuário, que restringem a cooperação com as autoridades federais de imigração. O governo lançou operações semelhantes em cidades como Chicago, Los Angeles e Minneapolis, como parte de uma agenda cada vez mais agressiva em relação aos migrantes.
Essas operações desencadearam protestos, confrontos com autoridades locais e um debate nacional sobre a aplicação das leis de imigração nessas jurisdições. Em Minnesota, por exemplo, o governo citou supostas fraudes cometidas por imigrantes somalis para reforçar sua repressão à imigração e justificar cortes no financiamento federal.
Os governadores democratas Tim Walz, de Minnesota, e Gavin Newsom, da Califórnia, indicaram que o governo está usando as alegações de fraude como pretexto para punir politicamente seus estados, cortando verbas essenciais.
Neste mês, as cidades gêmeas de Minneapolis e St. Paul tornaram-se o epicentro de uma repressão massiva à imigração, que desencadeou protestos generalizados e confrontos violentos entre a polícia e os manifestantes. A situação chegou a um ponto crítico quando um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) matou a tiros Renee Good, uma mãe de 37 anos, durante uma operação na semana passada. Autoridades do estado de Minnesota, juntamente com os prefeitos de Minneapolis e St. Paul, entraram com uma ação judicial contra o governo Trump para interromper o aumento das operações federais de imigração no estado.
A viagem de Trump a Detroit, Michigan, faz parte de um esforço da Casa Branca para angariar votos antes das eleições de meio de mandato. Michigan é um estado decisivo que Trump venceu por uma margem estreita em 2014. Ele também já visitou a Pensilvânia e a Carolina do Norte.
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