07 Janeiro 2026
O secretário de Estado norte-americano conversou ontem com seu homólogo vaticano, depois que o embaixador dos EUA em Roma quis “reinterpretar” as palavras do Papa durante o Angelus. “Os dois líderes conversaram sobre desafios prementes, que incluem iniciativas para melhorar a situação humanitária, em particular na Venezuela, bem como promover a paz e a liberdade religiosa em nível mundial”, assinala o Departamento de Estado.
A informação é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 07-01-2025.
“Sigo com grande preocupação a evolução da situação na Venezuela.” O Papa Leão XIV manifestou seu pesar pela intervenção norte-americana na Venezuela, que resultou na detenção (ou sequestro) de Nicolás Maduro e de sua esposa, e na “tutela” do país por parte de Donald Trump, com consequências ainda por definir e possíveis repercussões na Colômbia, no México… ou na Groenlândia, que preocupam o mundo.
Talvez por isso, o secretário de Estado dos EUA e responsável pelo ataque ordenado por Donald Trump, Marco Rubio, telefonou ontem ao secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, para “explicar” ao chefe da diplomacia da Santa Sé (bom conhecedor da realidade venezuelana) a situação após a operação militar ordenada por Trump.
Conforme informa o Departamento de Estado dos Estados Unidos, “o secretário de Estado Marco Rubio falou hoje [por ontem] com Sua Eminência o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé”.
“Os dois líderes conversaram sobre desafios prementes, que incluem iniciativas para melhorar a situação humanitária, em particular na Venezuela, assim como promover a paz e a liberdade religiosa em nível mundial”, acrescenta a nota, que conclui insistindo que Rubio e Parolin “reafirmaram seu compromisso de aprofundar a cooperação entre os Estados Unidos e a Santa Sé para enfrentar prioridades comuns em todo o mundo”.
A ligação ocorre depois de a Embaixada dos EUA junto à Santa Sé ter tentado “explicar” as palavras de Leão XIV no Angelus do último domingo, no qual afirmou que “o bem do amado povo venezuelano — afirmou — deve prevalecer acima de qualquer outra consideração e levar à superação da violência e ao início de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país, assegurando o Estado de Direito inscrito na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de todos e de cada um, e trabalhando para construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem em razão da difícil situação econômica”.
No entanto, a delegação norte-americana, liderada pelo “MAGA” Brian Burch, ignorou as referências papais ao fim da violência, ao respeito à soberania e à Constituição do país e destacou apenas as palavras de Prevost “rezando pela paz na Venezuela” e instando a um futuro baseado na “cooperação, estabilidade e harmonia”, o que implicitamente enquadrava as palavras de Leão como um apoio à política de Trump. Algo que provocou a lógica indignação da Santa Sé e a ligação de Rubio a Parolin para tentar “apagar” um novo incêndio na diplomacia norte-americana.
Leia mais
- Após o sequestro de Maduro, Trump toma medidas para confiscar o petróleo venezuelano
- EUA elaboraram três cenários para a queda de Maduro, e nenhum deles terminou bem para a Venezuela
- Trump redobra o cerco à Venezuela e ordena impedir a entrada e saída do país de “petroleiros sancionados” pelos EUA
- O governo Trump, após apreender um petroleiro na costa da Venezuela: "Estamos focados em fazer muitas coisas em nosso quintal"
- Exército americano apreende um petroleiro em frente à costa da Venezuela: “Vamos ficar com ele, suponho”
- 5 razões que revelam por que o conflito entre EUA e Venezuela entrou na fase crítica e mais perigosa. Artigo de Boris Muñoz
- Trump ameaça a Venezuela: ‘Vamos exterminar aqueles filhos da p*’
- Trump deu ultimato a Maduro e exigiu renúncia, diz jornal
- Maduro ordena que a força aérea esteja “em alerta e pronta” para defender a Venezuela
- Os EUA aumentam a pressão sobre Maduro após a chegada do porta-aviões à região e denominam a operação militar no Caribe de "Lança do Sul"
- Por que Trump poderia mergulhar a Venezuela no caos com seu "intervencionismo barato". Artigo de Mariano Aguirre Ernst
- Venezuela, Ford chegou. Mas os aliados estão em desacordo com os EUA
- Ação militar dos EUA contra Venezuela: o que pode acontecer?
- Venezuela tem 5 mil mísseis antiaéreos russos, diz Maduro
- O que está por trás do desdobramento norte-americano na Venezuela? Artigo de Manuel Sutherland
- A nova obsessão de Trump: usar o exército dos EUA contra os cartéis de drogas em território estrangeiro
- Lula monitora ação militar dos EUA contra Maduro e teme impacto no Brasil
- Ataques dos EUA no Caribe são ilegais, alertam analistas
- Trump envia quatro mil fuzileiros navais ao Caribe para combater cartéis de drogas
- Trump e América Latina e Caribe: Um laboratório de controle? Artigo de Carlos A. Romero, Carlos Luján, Guadalupe González, Juan Gabriel Tokatlian, Mônica Hirst
- Trump aumenta o destacamento militar perto da Venezuela após autorizar operações terrestres no país