O relatório preliminar do grupo de estudos do Sínodo Vaticano traz perspectivas promissoras para um novo discurso sobre a comunidade LGBTQ+

Foto: Margaux Bellott | Unsplash

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18 Novembro 2025

O Escritório do Sínodo em Roma publicou um novo relatório que apresenta uma direção provisória sobre como a Igreja pode abordar as questões LGBTQ+.

A reportagem é de Jeromiah Taylor, publicada por New Ways Ministry, 18-11-2025.

O documento é o relatório provisório do nono dos 10 grupos de estudo criados em 2023 pelo Papa Francisco. Encarregado de explorar “critérios teológicos e metodologias sinodais para o discernimento compartilhado sobre questões doutrinais, pastorais e éticas controversas”, o nono grupo tem como área de estudo o tratamento pastoral de católicos LGBTQ+. Os relatórios provisórios de todos os 10 grupos foram publicados em 17 de novembro.

Com o objetivo de abordar as questões sensíveis que surgirem na primeira assembleia do Sínodo sobre a Sinodalidade, em 2023, os grupos de estudo apresentaram anteriormente um primeiro relatório durante a assembleia sinodal de 2024. Grupos de estudo subsequentes foram adicionados pelos Papas Francisco e Leão XIII, totalizando atualmente 14 grupos. Seus relatórios finais — que incluirão propostas concretas — serão submetidos ao Papa Leão XIII até 31 de dezembro, “na medida do possível”, conforme solicitado por ele.

O novo relatório provisório contém uma linguagem que pode indicar como as questões LGBTQ+ serão abordadas nas recomendações do relatório final, com algumas diferenças significativas em relação às descrições anteriores da igreja sobre como essas questões deveriam ser consideradas. Por exemplo, o grupo de estudo identificou a “homossexualidade” como uma das três áreas classificadas como “emergentes”, em vez de “controversas”, como haviam sido identificadas na proposta inicial do estudo. O documento afirma que “emergente” é um rótulo “mais apropriado” para essas questões, que também incluem a violência contra a mulher em zonas de guerra e a prática não violenta do Evangelho.

Como uma questão emergente, a homossexualidade receberá um tratamento interdisciplinar no relatório final. O documento observou que o relatório final conterá uma breve apresentação “das posições defendidas pela Tradição e pelo Magistério, das (novas) questões que surgiram recentemente, concluindo com algumas questões a serem abordadas no processo de discernimento, mencionando as principais referências extraídas das Escrituras e da antropologia, incluindo contribuições das disciplinas científicas”.

Além disso, a descrição das propostas do relatório final afirmava que elas seriam “procedimentais” e dariam atenção especial ao “contexto”, à “gestão da resistência” e aos “níveis de pertinência”.

O relatório preliminar afirmou que o trabalho do comitê foi inspirado pela “mudança de paradigma” defendida pelo Papa Francisco, bem como pela ênfase do Sínodo na “esfera prática”. Os autores admitem que, entre os desafios na elaboração do relatório final, estão a “insuficiência dos conceitos à nossa disposição”, a “resistência à mudança de hábitos mentais e práticos” e as “tensões em torno dos meios práticos propostos para alcançar um objetivo comum, valorizando a diversidade”.

A única nota de rodapé do documento reconhecia a abordagem do Papa Francisco a questões pastorais difíceis, conforme exposto na seção três da Amoris Laetitia, que afirmava:

“Nem todas as discussões sobre questões doutrinais, morais ou pastorais precisam ser resolvidas por intervenções do Magistério. A unidade de ensinamento e prática é certamente necessária na Igreja, mas isso não impede diversas interpretações de alguns aspectos desse ensinamento ou a extração de certas consequências a partir dele. [...] Além disso, cada país ou região pode buscar soluções mais adequadas à sua cultura e sensíveis às suas tradições e necessidades locais.”

Contudo, o relatório vai além da linguagem do Papa Francisco sobre a relação entre o doutrinal e o pastoral, reiterando, em vez disso, a relação intrínseca e unificada entre essas duas esferas. Os autores argumentam que a abordagem do papa anterior “corre o risco de sugerir a existência de esferas separadas, em vez de esferas circularmente interconectadas, implicando-se sempre mutuamente. Além disso, a relação entre amor e verdade, sob a qual se categorizam as questões a serem examinadas, presta-se ao mesmo mal-entendido, podendo gerar a noção de que os dois termos se encontram numa relação inversamente proporcional”.

O grupo de estudos mencionou vários consultores que estiveram especialmente envolvidos em suas deliberações: a professora Rosalba Manes, o professor Vincenzo Rosito e Dom Filippo Iannone (recentemente nomeado por Leão XIII como seu substituto no cargo de prefeito do Dicastério dos Bispos).

Francis DeBernardo, diretor executivo do New Ways Ministry, afirmou que este relatório preliminar foi “um sopro de ar fresco que pode ajudar a dissipar as teias de aranha empoeiradas das antigas abordagens católicas para questões LGBTQ+”. Ele espera que “o relatório final seja tão promissor em relação a um novo discurso sobre o cuidado pastoral LGBTQ+ quanto este relatório preliminar sugere”. DeBernardo acrescentou que a discussão sobre cuidado pastoral no relatório final deve ir além da simples “homossexualidade” para incluir todas as pessoas da comunidade LGBTQ+.

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