A AI não é boa nem má, responde um Lutero robotizado

Foto: Wikimedia Commons

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14 Novembro 2025

O Portal Luterano pediu ao ChatGPT que elaborasse uma entrevista com o reformador Martim Lutero, para verificar como ele responderia questões levantadas no século XVI para a atualidade. Pediu, depois, que o professor dos PPGs em Teologia e em Direitos Humanos e Políticas Públicas da PUCPR, Dr. Rudolf von Sinner, avaliasse as respostas do Lutero vindas da máquina.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

“A IA catou as ideias pertinentes de Lutero graças ao grande volume de textos dele e sobre ele disponíveis na internet. É assim que a IA aprende”, avaliou von Sinner. No entanto, alertou, “a seleção e a priorização, bem como a checagem da verdade e da pertinência do resultado, têm que ser feitas pelo ser humano. Somente o ser humano tem fé, fala a Deus em oração e louvor, pede sabedoria e compreensão, e ouve sua palavra. Cabe aos ser humano decidir o que realmente importa na vida”.

O Lutero robotizado, ao contrário do Lutero reformador, foi bastante sucinto nas respostas. Indagado a respeito, ele vê a IA assim como viu a imprensa em seu tempo: um instrumento. “Não é boa nem má em si. O importante é como é usada. Se serve para anunciar o Evangelho, pode ser bênção. Se serve para enganar e manipular, torna-se maldição”.

Pergunta: Dr. Lutero, o senhor pregava muito sobre a liberdade cristã. Acha que a inteligência artificial pode ajudar ou atrapalhar essa liberdade?

A verdadeira liberdade, respondeu o robô de Lutero, “não vem de máquinas, mas da fé em Cristo. Contudo, se a IA aliviar o ser humano de fardos e trabalhos repetitivos, pode dar mais espaço para que estude, ore e sirva ao próximo. Mas, se tornar as pessoas escravas de algoritmos ou do poder de pouco, então será apenas uma nova forma de servidão”.

Pedir à IA que escreva sermões, produza comentários bíblicos e responda a perguntas teológicas “pode ser ajuda, se levar as pessoas à Escritura. Mas é perigoso, se fizer com que confiem mais nas palavras de uma máquina do que na Palavra viva de Deus. Somente a Escritura é fonte segura. A máquina pode apontar, mas nunca substituir o testemunho do Espírito Santo no coração do crente”.

Dr. Lutero, a IA levanta muitos dilemas éticos, como o uso de dados pessoais, manipulação de informações e até decisões que afetam vidas humana. Como o senhor avaliaria isso?

Ética, respondeu Lutero. Máquina “não nasce de máquinas, mas da responsabilidade humana diante de Deus. O oitavo mandamento já nos ensina a não levantar falso testemunho, e isso vale para qualquer tecnologia. Se a IA é usada para enganar, manipular ou explorar, está em pecado. Toda decisão deve ser guiada pelo amor ao próximo e pelo temor a Deus”.

O Lutero algoritmizado termina sua breve entrevista aconselhando a usar tudo como dádiva, sem se deixar escravizar. “Lembrai-vos: nem a inteligência humana nem a artificial pode justificar o homem diante de Deus. Somente Cristo. Assim, usai a IA com temor, sabedoria e sempre a serviço do próximo”.

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