Leão XIV. Contra meritocracia e neoliberalismo, é útil também redescobrir a Teologia da Libertação

Foto: Papa Leão XIV | Vatican Media

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14 Outubro 2025

Leão XIV escreve: "o Evangelho só é bem anunciado quando leva a tocar a carne dos últimos, e alertando que o rigor doutrinal sem misericórdia é palavra vazia." E ainda: "Assumem-se, às vezes, critérios pseudocientíficos para dizer que a liberdade do mercado levará naturalmente à solução do problema da pobreza. Ou ainda, opta-se por uma pastoral das ditas elites, defendendo-se que, em vez de perder tempo com os pobres, é melhor cuidar dos ricos, dos poderosos e dos profissionais, para que, através deles, seja possível alcançar soluções mais eficazes”.

A informação é de Fabrizio D'Esposito, publicada por Il Fatto Quotidiano, 13-10-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Trata-se de duas passagens, nada óbvias, de Dilexi te (Eu te amei, do Apocalipse de João), a exortação apostólica do Papa Prevost e primeiro texto oficial de seu pontificado. O documento completa o último trabalho que Francisco "estava preparando, nos últimos meses de sua vida", e isso provocou uma reação paradoxal dos conservadores católicos. Por um lado, eles se sentem, com razão, incomodados por esse sinal de continuidade, descartado como algo óbvio, como uma homenagem obrigatória ao seu antecessor; por outro, contudo, ainda estão esperançosos de que Leão endireite, se não mesmo apague, essa direção da Igreja.

Na realidade, se lida com atenção, Dilexi te consolida a pobreza como o centro absoluto do Evangelho cristão e a caridade como "critério do verdadeiro culto". E o faz não apenas com referências teológicas muito claras – a ponto de reiterar que "o cuidado com os pobres faz parte da grande Tradição da Igreja" – e com a citação de numerosos santos e até profetas da Bíblia hebraica (o historiador Giovanni Maria Vian destacou isso no Domani). Mas, sobretudo, o faz subvertendo ainda mais a visão doutrinária da direita clerical, que sempre rejeitou a centralidade dos pobres. A mesma direita clerical que chorou por Charlie Kirk como irmão evangélico e é atraída pela teologia da prosperidade em voga com o trumpismo dominante.

E aqui a crítica de Leão é explícita: contra "a pastoral das elites" citada acima, contra a "falsa visão da meritocracia", contra a economia que mata, contra aqueles que culpabilizam os pobres por não terem conseguido sucesso na vida. Melhor ainda, redescobrir "uma reflexão sempre atual” feita em 1984 pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito do antigo Santo Ofício, sobre a supercontestada Teologia da Libertação: “Os defensores da ‘ortodoxia’ são por vezes acusados de passividade, indulgência ou cumplicidade culpável perante situações intoleráveis de injustiça e de regimes políticos que mantêm tais situações. (...) A preocupação com a pureza da fé não deve ser separada da preocupação de dar, por meio de uma vida teologal integral, a resposta de um eficaz testemunho de serviço ao próximo, e de modo muito particular ao pobre e ao oprimido”.

Além disso, o Papa Prevost foi missionário e depois bispo no Peru por décadas, onde nasceu a Teologia da Libertação.

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