#a avareza. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Tima Miroshnickenko/Pexels

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06 Setembro 2025

"O sábio bíblico Qohelet/Eclesiastes era lapidar: "Quem ama o dinheiro jamais se fartará de dinheiro" (5,9). Na base desse vício, de fato, está a perversão do desejo que – como diz a etimologia – é algo que vem de sideribus, das estrelas, isto é, do infinito e tende para o infinito", escreve Gianfranco Ravasi, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 31-08-2025. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

A avareza impedirá a um homem de acabar na miséria, mas geralmente o torna medroso demais para permitir que se torne rico.

“Minhas coisas, virão comigo!”, esbraveja o protagonista da famosa “novela rústica” de Giovanni Verga, com o título emblemático “As Coisas”. À beira da morte, aquele homem tão avarento mata a pauladas seus patos e perus para que possam ficar com ele também na vida após a morte.

Sobre a avareza, um dos sete vícios capitais, não apenas a moral, mas também a literatura, têm tratado com força, muitas vezes criando obras-primas (quem não se lembra de O Avarento, de Molière, ou do avarento convertido de Um Conto de Natal, de Charles Dickens?). Nesse vasto repertório, recorremos a um autor menos conhecido, o inglês setecentista Thomas Paine, em seu ensaio mais citado, "Senso comum", publicado em 1776 na Filadélfia, às vésperas da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Ele sublinha a contradição psicológica do avarento, ganancioso na proteção de seus bens e aterrorizado em arriscar investimentos que poderiam ser capazes de melhores resultados econômicos.

O sábio bíblico Qohelet/Eclesiastes era lapidar: "Quem ama o dinheiro jamais se fartará de dinheiro" (5,9). Na base desse vício, de fato, está a perversão do desejo que – como diz a etimologia – é algo que vem de sideribus, das estrelas, isto é, do infinito e tende para o infinito. O avarento busca suprir esse afã quantitativamente, ou seja, com as realidades materiais finitas e caducas, e, portanto, nunca poderá ser satisfeito: tantas coisas de sua natureza “finita”, somadas entre si, jamais poderão ter como resultado o “infinito”. Portanto, São Paulo está certo quando define “a avareza insaciável como idolatria” (Colossenses 3,5). Jesus havia sido ainda mais claro: “Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”, ou seja, às riquezas (Lucas 16,3).

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