Morrer por batismo: 'qui iterum mergit, mergatu'. Artigo de Giorgio Guelmani

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16 Janeiro 2025

"Manz e seus amigos achavam que Zwingli não avançava o suficiente na reforma e se ativesse a compromissos demais. Estudando as Escrituras, passaram a contestar a prática do batismo infantil. De acordo com eles, o batismo só fazia sentido para aqueles capazes de professar sua fé", escreve Giorgio Guelmani, pastor protestante, em artigo publicado por Riforma, 15-01-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Em 05-01-1527, em Zurique, por volta das três horas da tarde, Felix Manz, de 29 anos, foi levado à margem do rio Limmat. Colocado em um barco, amarrado com as mãos e os pés, ele foi arrastado para o meio do rio e morto por afogamento. Mas quem era ele e o que havia feito? Manz, que havia estudado latim, grego e hebraico em Paris, juntou-se ao movimento de Ulrich Zwinglio e ao seu programa de reforma da igreja em 1519.

Logo surgiram desentendimentos: Manz e seus amigos achavam que Zwinglio não avançava o suficiente na reforma e se ativasse a compromissos demais. Estudando as Escrituras, passaram a contestar a prática do batismo infantil. De acordo com eles, o batismo só fazia sentido para aqueles capazes de professar sua fé.

Em 17-01-1525, houve um debate público sobre o tema, e o Conselho da Cidade, de acordo com Zwinglio, ordenou que todas as famílias batizassem os bebês dentro de oito dias, sob pena de banimento. Em 21 de janeiro, os dissidentes (que haviam se autodenominado Irmãos, embora tenham ficado conhecidos pelo nome de anabatistas) se reuniram na casa da mãe de Manz e, durante um culto com a Santa Ceia, batizaram uns aos outros. Em seguida, os Irmãos se espalharam para pregar pelo interior. Após um debate final, em março de 1526, o Conselho estabeleceu a pena de morte por afogamento para qualquer pessoa que realizasse um rebatismo (qui iterum mergit, mergatur). Felix Manz, fugido e recapturado várias vezes, foi o primeiro de uma longa série a ser executado.

Em 1983, a Igreja Reformada Suíça pediu perdão pelo sofrimento infligido aos anabatistas.

Reconhecer-se como parte da história da Reforma também significa refletir sobre seus lados sombrios e trágicos, entre os quais a incompreensão das instâncias da Reforma radical.

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