Os discípulos de Lefèbvre não ‘beliscam a isca’ e deixam o cismático Viganò sozinho nas suas graves acusações contra Francisco

Carlo Maria Viganò (Foto: Paul Haring | CNS)

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25 Junho 2024

  • Os discípulos do falecido arcebispo cismático francês viram as costuras da tentativa de Viganò e desmantelaram-na numa carta publicada no seu site: "nem mesmo Lefebvre, excomungado em 1988, foi tão longe nas suas acusações contra o papado da época".

  • Viganò se defende, invocando as aventuras do atual pontificado e rejeitando os erros neomodernistas. Ele crê poder comparar o seu caso com o de Dom Marcel Lefebvre, também convocado na sua época para audiências na Santa Sé.

  • Há, no entanto, um ponto que diferencia Viganò de Lefebvre. Para o prelado italiano, Francisco não é Papa.

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 25-06-2024.

Já se sabia da atitude cismática do ex-núncio papal Dom Carlos Maria Viganó, bem como dos seus sonhos de fundar, na região italiana de Viterbo, um centro de acolhimento para os “retaliados” pelo pontificado de Francisco, bem como um seminário no qual treinaria os candidatos, “após a necessária seleção”, nos postulados do Concílio de Trento.

E viu-se também, após a sua explicação sobre o motivo pelo qual não compareceu ao Dicastério para a Doutrina da Fé em 20 de junho, onde foi convocado para responder à acusação de posições cismáticas, que ele gostaria de não conhecer a sua situação, dificilmente se compara ao de outro famoso cismático, Marcel Lefebvre.

Mas os discípulos do falecido arcebispo cismático francês viram as costuras da tentativa de Viganò e desmantelaram-na numa carta publicada no seu site: nem mesmo Lefebvre, excomungado em 1988, foi tão longe nas acusações contra o papado na altura. Eles entendem que o ex-diplomata vaticano, cuja animosidade contra o Papa Bergoglio é manifesta e reiterada, vai embora.

Assim, a Fraternidade São Pio X apresenta elementos necessários para manter a comunhão com a Igreja Católica: a negação da legitimidade do Papa Francisco, a quebra da comunhão com ele e rejeição do Concílio Vaticano II”, afirma a declaração dos lefebvrianos.

“As aventuras do pontificado atual”

“Viganò defende-se de várias maneiras, invocando as aventuras do atual pontificado, rejeitando os erros neomodernistas e acreditando poder comparar o seu caso com o de D. Marcel Lefebvre, também convocado na sua época para o Palácio da antiga Santa Sé”, continua a nota.

“Há, porém, um ponto que o diferencia significativamente do fundador da Fraternidade São Pio X. Ou seja, segundo ele, o Papa Francisco não é Papa”.

“Como explicar isso?”, perguntam retoricamente os lefebvrianos. “Devido a um ‘vício de consentimento’ do cardeal Jorge Bergoglio, ao acessar o poder supremo: considerando o papado como algo diferente do que realmente é, o eleito em 2013 aceitou o cargo pontifício sem consentir plenamente com ele, e este erro levou na nulidade da sua aceitação. Seu pontificado seria, portanto, uma trupe”, apontam, encobrindo as explicações de Viganò.

Porém, isto, até mesmo para a Fraternidade São Pio X do seu fundador: “Nem D. Lefebvre nem a Fraternidade que ele fundou quiseram aventurar-se neste ponto”.

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