Hoje, 28 de maio, a Organização das Nações Unidas lembra o Dia Internacional da Higiene Menstrual. Pesquisa do Fundo de População da ONU (Unfpa) Brasil, realizada em 2021 em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), constatou que das 60 milhões de pessoas que menstruam no país, 5% - entre as mais pobres - não têm acesso a materiais de higiene, absorventes, banheiros adequados, acesso à informação.
A reportagem é de Edelberto Behs.
Desde 2014, a ONU reconhece que o direito à higiene menstrual é uma questão de saúde pública e de direitos humanos. ONU Mulheres informa que 12,5% da população feminina do planeta não têm acesso a protetores menstruais em razão dos altos custos.
No Brasil, a pobreza menstrual afeta 28% das pessoas de baixa renda na faixa etária dos 14 aos 45 anos de idade, o equivalente a uma população de 11,3 milhões de habitantes. A pesquisa do Unfpa com o Unicef – “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violação de direitos” – indicou que 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seus domicílios e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.
Segundo a ONG Livre para Menstruar, 500 milhões de jovens e adultas não dispõem de instalação para cuidar de sua higiene menstrual. As mulheres que estão entre os 5% mais pobres no país precisam trabalhar até 4 anos para custear os absorventes que vão usar ao longo da vida.
E o que é que mulheres e meninas fazem então? Improvisam. Recorrem a “absorventes” como folhas de jornal, folhas de árvores, miolo de pão, tiras de roupa, meias, saquinhos de areia... São “alternativas” que podem causar irritação na pele, infecções como candidíase e outras complicações.
O problema não se resume aos aspectos físicos. Meninas pobres, no período da menstruação, evitam ir à escola por temer que o sangue manche a roupa ou, por falta de informação, acreditam no tabu de que menstruação é coisa suja. Afeta, então, a vulnerabilidade social, causa constrangimento, angústia, isolamento, vergonha. Daí o importante papel da escola de informar a respeito e dar dignidade às meninas.
Também contribui para essa situação o tema do saneamento. A pesquisa mostrou que 900 mil jovens não têm acesso à rede de água, e 65 milhões de brasileiros e brasileiras não contam com ligações entre suas residências e a rede de esgoto.
A pobreza mental, destaca o portal Herself Educacional, diz respeito a uma vulnerabilidade física, emocional, econômica e social. “Em condições de pobreza, ter acesso a banheiros, a saneamento básico e a protetores seguros para conter o sangue menstrual é um problema”, aponta.
A primeira data para reflexão sobre dignidade menstrual foi criada em 2014, na Alemanha. A ONG Wash United buscou quebrar o tabu e o silêncio quanto à educação menstrual. A data escolhida tem um significado: é de 28 dias, em regra, o espaço entre uma menstruação e outra, e é de 5 dias (mês 5, maio) o espaço do período menstrual. Na América Latina, o dia 28 de maio marca, desde 1987, o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher.
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