Menstruação, um tema tabu que afeta meninas e mulheres

Foto: Canva Pro | Getty Images

Mais Lidos

  • Edgar Morin e o seu centenário. Odisseia, complexidade e incerteza

    LER MAIS
  • Edgar Morin (1921-2026): “A experiência me mostrou que o improvável pode acontecer”

    LER MAIS
  • Contra fim da escala 6X1, PEC da hora flexível reduz salários e enfraquece CLT

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

28 Mai 2024

Hoje, 28 de maio, a Organização das Nações Unidas lembra o Dia Internacional da Higiene Menstrual. Pesquisa do Fundo de População da ONU (Unfpa) Brasil, realizada em 2021 em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), constatou que das 60 milhões de pessoas que menstruam no país, 5% - entre as mais pobres - não têm acesso a materiais de higiene, absorventes, banheiros adequados, acesso à informação.

A reportagem é de Edelberto Behs.

Desde 2014, a ONU reconhece que o direito à higiene menstrual é uma questão de saúde pública e de direitos humanos. ONU Mulheres informa que 12,5% da população feminina do planeta não têm acesso a protetores menstruais em razão dos altos custos.

No Brasil, a pobreza menstrual afeta 28% das pessoas de baixa renda na faixa etária dos 14 aos 45 anos de idade, o equivalente a uma população de 11,3 milhões de habitantes. A pesquisa do Unfpa com o Unicef – “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violação de direitos” – indicou que 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seus domicílios e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

Segundo a ONG Livre para Menstruar, 500 milhões de jovens e adultas não dispõem de instalação para cuidar de sua higiene menstrual. As mulheres que estão entre os 5% mais pobres no país precisam trabalhar até 4 anos para custear os absorventes que vão usar ao longo da vida.

E o que é que mulheres e meninas fazem então? Improvisam. Recorrem a “absorventes” como folhas de jornal, folhas de árvores, miolo de pão, tiras de roupa, meias, saquinhos de areia... São “alternativas” que podem causar irritação na pele, infecções como candidíase e outras complicações.

O problema não se resume aos aspectos físicos. Meninas pobres, no período da menstruação, evitam ir à escola por temer que o sangue manche a roupa ou, por falta de informação, acreditam no tabu de que menstruação é coisa suja. Afeta, então, a vulnerabilidade social, causa constrangimento, angústia, isolamento, vergonha. Daí o importante papel da escola de informar a respeito e dar dignidade às meninas.

Também contribui para essa situação o tema do saneamento. A pesquisa mostrou que 900 mil jovens não têm acesso à rede de água, e 65 milhões de brasileiros e brasileiras não contam com ligações entre suas residências e a rede de esgoto.

A pobreza mental, destaca o portal Herself Educacional, diz respeito a uma vulnerabilidade física, emocional, econômica e social. “Em condições de pobreza, ter acesso a banheiros, a saneamento básico e a protetores seguros para conter o sangue menstrual é um problema”, aponta.

A primeira data para reflexão sobre dignidade menstrual foi criada em 2014, na Alemanha. A ONG Wash United buscou quebrar o tabu e o silêncio quanto à educação menstrual. A data escolhida tem um significado: é de 28 dias, em regra, o espaço entre uma menstruação e outra, e é de 5 dias (mês 5, maio) o espaço do período menstrual. Na América Latina, o dia 28 de maio marca, desde 1987, o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher.

Leia mais