23 Mai 2024
Graças à sua habilidade musical com o cravo e à sua experiência como cosmógrafo e cartógrafo, o jesuíta espanhol Diego de Pantoja foi um dos primeiros missionários a entrar na Cidade Proibida de Pequim, onde o Imperador Wanli o homenageou como um autêntico mandarim, a mais alta dignidade de os sábios chineses do século XVII.
A reportagem é de Luis Donaldo González, publicada por National Catholic Reporter, 21-05-2024.
“Eles nos deram todos os elogios à humanidade que o Imperador nos mostrou, reconhecendo-nos como mandarins”, escreveu Pantoja em 1602. “Não viemos para isso, mas para expandir a lei de Deus”.
Um novo documentário sobre a vida deste missionário estreará no fim de maio. Intitulado "Diego de Pantoja, SJ: uma ponte entre a China e o Ocidente", o filme foi dirigido pelo professor Jesús Folgado García e financiado pela Boston College.
“Graças à rota comercial e missionária da coroa portuguesa, Diego de Pantoja chegou à China para ajudar a missão do Padre Mateo Ricci”, disse Folgado García ao National Catholic Reporter. “Além de missionário, foi um literato de grande cultura, excelente músico, cosmógrafo e cartógrafo”.
O vasto conhecimento científico de Pantoja permitiu-lhe corrigir o calendário chinês e renovar os sistemas hidráulicos do império. “Pantoja era um estrangeiro aceito pelos maiores estudiosos e cientistas chineses”, informou García.
Além de historiador, estudioso de teologia e pesquisador visitante da Boston College, Folgado García é padre da diocese sspanhola de Getafe, mesma região onde Pantoja nasceu.
“Realizei minha primeira pesquisa em 2021 por ocasião do 450º aniversário do nascimento de Pantoja”, complementou García. "Dois anos depois, a Boston College me propôs fazer este novo documentário em chinês e legendado em inglês e português".
Folgado García estava embarcando neste novo projeto de pesquisa quando recebeu uma carta do Papa Francisco, que expressava o seu apoio e se referia a Pantoja como “o embaixador da cultura chinesa no Ocidente”. Esta carta e o trabalho conjunto de professores e instituições de sete países possibilitaram uma parceria inédita para a produção do documentário.
Nos últimos anos, a vida e o legado de Diego de Pantoja tornaram-se mais relevantes já que em 2018 o governo chinês decretou o Ano de Diego de Pantoja, por ocasião do 400º aniversário da sua morte. “Pantoja consegue construir uma ponte pacífica entre as culturas milenares do Ocidente e da China”, disse García.
Apoiado pela Academia Portuguesa da História, este novo documentário tem a duração de 32 minutos e estreia dia 28 de maio na Cúria Geral dos Jesuítas, em Roma.
A estreia do documentário contará com uma apresentação com curadoria do jesuíta Pe. Federico Lombardi, presidente da Fundação Vaticano Joseph Ratzinger-Bento XVI. Haverá também comentários de García; do padre jesuíta Antoine Kerhuel, secretário da Companhia de Jesus; de Manuela Mendonça, presidente da Academia Portuguesa da História; e do padre jesuíta Casey Beaumier, diretor do Instituto de Estudos Jesuítas Avançados da Boston College.
“O legado de Diego de Pantoja faz com que a academia na China, na Espanha, em Portugal, na Itália, nos Estados Unidos e no Vaticano reconheça que é possível construir pontes pacíficas de diálogo e colaboração entre civilizações aparentemente diferentes", declarou García.
“Pantoja é um modelo de concórdia para os nossos tempos”.
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