Morre Paulo Marubo, liderança indígena proeminente da Amazônia

Paulo Marubo (Foto: Alberto César Araújo | Amazônia Real). Edição: IHU

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06 Fevereiro 2024

Ex-coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), Paulo liderou as buscas pelo jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 05-02-2024.

Paulo Marubo. (Foto: Alberto César Araújo | Amazônia Real)

Uma das principais lideranças indígenas da região amazônica dos últimos anos, o professor Paulo Marubo, faleceu no sábado (3), vítima de complicações da hepatite, em um hospital de Manaus, a mais de 1,1 mil km de distância de seu tão amado Vale do Javari, de acordo com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

Marubo coordenou a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) em três ocasiões, por quase uma década. Com o indigenista Bruno Pereira, ele ajudou na criação da Equipe de Vigilância da UNIVAJA, que assumiu a missão de proteger o território, que concentra o maior número de indígenas em isolamento voluntário do mundo, da ameaça de pescadores e outros invasores.

Paulo Marubo comandou a equipe indígena que ajudou nas buscas por Bruno e pelo jornalista britânico Dom Phillips no Vale do Javari, que desapareceram em junho de 2022 durante uma viagem de barco. Os dois foram assassinados por pescadores irritados com a atuação do indigenista junto com a UNIVAJA. O próprio líder indígena era considerado uma figura “marcada para morrer” pelos pescadores e recebeu sucessivas ameaças ao longo do tempo.

Paulo Marubo vem de uma escola política alinhada com os princípios da nossa tradição. Ele criou uma nova forma da UNIVAJA trabalhar, de enfrentar os desafios da região, e nos deixa com muita dor no coração”, afirmou o procurador jurídico da UNIVAJA, Eliésio Marubo, ao Amazônia Real.

A morte de Marubo pode não ter sido violenta, mas ainda assim foi resultado da negligência do Estado. Antes do óbito, representantes indígenas apelaram por ajuda em virtude da gravidade do quadro clínico do líder da UNIVAJA e da falta de atendimento médico. Segundo o site Vocativo, depois de quase três semanas em agonia, ele foi transferido para uma unidade de referência apenas na última 3ª feira (30/1), após sua situação vir a público.

A morte de Paulo Marubo também foi destacada pela Agência Brasil, A Crítica e CartaCapital.

Em tempo: Também no sábado (3), o movimento indígena perdeu outro grande nome, o da indigenista acreana Djacira Maia. Ela morreu aos 78 anos, no Rio de Janeiro, onde morava, informou a Agência do Acre. Dedê, como era conhecida, ajudou a formar professores indígenas por duas décadas, além de colaborar na revitalização cultural tradicional de diversos povos. 

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