Jornada Mundial dos Pobres, um convite à fraternidade em um mundo escaldante e em guerras. Destaques da Semana no IHU

De 13 a 17 de novembro de 2023

Arte: Marcelo Zanotti | IHU

20 Novembro 2023

O chamado do Papa Francisco a olhar para os pobres, uma nova semana de recorde nas temperaturas no Brasil, mais sobre as guerras em Gaza e na Ucrânia e a memória do martírio de Ignacio Ellacuría e companheiros em El Salvador, entre outros destaques.

“Ainda sinto fome de carne”

Nesta semana que passou, vivemos a Jornada Mundial dos Pobres, que tem seu ápice no Dia Mundial dos Pobres, domingo, 19-11-2023. O chamado do Papa Francisco, neste ano, é que não desviemos o olhar da pobreza que nos cerca. Irmã siamesa da pobreza, a fome é uma das mais dolorosas lembranças de quem já atravessou este calvário. A frase que destacamos acima é do sociólogo e professor da Universidade de São Paulo, José de Souza Martins. Aos 80 anos, Martins recorda que descobriu a fome na aspereza de sua própria vida. Ele contou sua história em evento promovido pelo IHU alusivo ao Dia Mundial dos Pobres.

Além do professor Martins, o irmão Henrique, Peregrino da Comunidade Trindade, na Bahia, e o padre Fernando Gois, da Prelazia de São Félix, Araguaia, no Mato Grosso, também trouxeram seus relatos. Ambos já viveram entre pessoas em situação de rua e hoje abrigam e amparam aqueles que mais precisam, seja a população em situação de rua, sejam mulheres prostituídas, caminhoneiros, imigrantes... Suas ações buscam imitar as ações do próprio Cristo, que estende o olhar sobre o pobre.

Direito à cidade

Também conectada a esta temática, o IHU promoveu um debate sobre o direito à cidade, a partir da experiência de Porto Alegre. Afinal, está também é uma luta daqueles que nada têm ou que têm bem pouco. Confira:

Calor escaldante

A semana que passou seguiu escaldante em grande parte do Brasil. Mais do que um desconforto, já se vivem questões de saúde. Não é à toa que falam que este calor já está mudando a história do Brasil. E se está difícil sobreviver a esta realidade, se prepare porque ela tende a ser mais frequente, com consequências ainda piores para a saúde.

Não é natural

E sempre vale insistir no que os cientistas têm dito: todo esse aquecimento não é natural ou um ciclo.

Fomos nós, como esta ideia de crescimento, que levamos o planeta a este ponto. As consequências deste desenvolvimento estão aí: um verdadeiro colapso que ameaça a nossa própria saúde e até a produção de alimentos. E o mais curioso: continuamos inertes, esperando o calor passar.

Lembrando…

… que não adianta esperar por milagres, nem depender da tecnologia. O que precisamos é uma outra forma de produção e consumo, num novo projeto de sociedade.

E a COP?

Já sabemos que as conferências sobre o clima têm avançado muito pouco na efetivação de mudanças significativas para conter o aumento da temperatura. Fim do mês, vamos para mais uma, que aliás tem gerado expectativas sobre a presença do Papa Francisco.

A violência tem cor

Na próxima segunda, 20-11-2023, celebramos o Dia da Consciência Negra, um dia de memória e com nada a exaltar, pois arroubos racistas ainda fazem parte de nosso cotidiano.

E a violência racista segue escancarada: a cada 100 mortos pela polícia em 2022, 65 eram negros, esta é uma data de resistência.

Não se morre só na favela

Neste país de desigualdades, poder e de bandidos, não é só na favela que se é morto.

Ah, o tema estará em conferência promovida pelo IHU na semana que vem. Confira:

Guerra em Gaza

E no diário da guerra, mais uma semana de inferno em Gaza. Enquanto se discutem acordos, e enquanto se intesificam e justificam ataques a hospitais, a guerra é reabilitada como uma alternativa e vidas continuam sendo ceifadas.

Como escreve Leonardo Boff: uma demência da razão e falta de coração.

E se, por um lado, Israel busca justiça, por outro, cria um estado de apartheid e uma catástrofe para o povo palestino.

O tema também esteve presente em videoconferência promovida há poucos dias. Confira:

Outras guerras

E sempre lembramos que esta não é a única guerra que vivemos. Na semana passada, destacamos a situação da África. Nesta semana, vozes vindas da Ucrânia recordam: “ainda não estamos em paz”.

Eleições argentinas e o Papa

Neste fim de semana, a Argentina volta às urnas para decidir se surfa na onda da extrema-direita ou se reflui. O curioso, entre tantos pontos desta disputa, é obersar o “fator Francisco” neste pleito.

Muita polêmica

Se o Papa está ou não interessado em intrigas políticas da eleição na Argentina, não se sabe ao certo, mas o que sabemos é que tem vindo muita polêmica de Roma. Não estamos falando só do Sínodo. Nos últimos dias houve a destituição de Strickland nos EUA, em mais uma contenda para os conservadores e até uma nova orientação, que reforça antigas, sobre as relações da Igreja com a maçonaria.

Sinodalidade e missão

Enquanto isso, por aqui no 5º Congresso Missionário Nacional, há respiros e demonstração de que a sinodalidade parece estar presente, se não na Igreja estática, ao menos na missão.

Martírio de Ellacuría e companheiros

Por fim, fazemos memória ao martírio de Ignacio Ellacuría e seus companheiros, assassinados há 34 anos, em 16-11-1989, em El Salvador. Como escreveu o cardeal Czerny, eram oito testemunhas do Evangelho que quiseram “ensinar a responsabilidade social como essencial para qualquer cristão” .

Uma ótima semana a todas e todos!