Assassinado David O'Connell em Los Angeles: o bispo contra as gangues

Bispo David O'connell (Foto: Catholic News Agency)

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22 Fevereiro 2023

Choque em Los Angeles. O bispo auxiliar David O'Connell, de 69 anos, conhecido por seu trabalho de assistência aos imigrantes, aos pobres e às vítimas da violência das gangues, foi baleado no peito em plena luz do dia.

A reportagem é de Viviana Mazza e Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 20-02-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Foi encontrado morto em Hacienda Heights, um subúrbio a cerca de trinta quilômetros a leste do centro de Los Angeles, com um tiro na parte superior do peito. A polícia chegou após uma chamada de emergência médica, por volta das 13h de sábado, mas nada mais havia a fazer; os paramédicos o declararam morto. Somente no domingo soube-se que a homem se chamava David O'Connell e era o bispo auxiliar da Arquidiocese de Los Angeles.

A polícia investiga o assassinato.

Irlandês de nascimento, Dom David, de 69 anos, estudou teologia em Dublin, foi ordenado sacerdote em Los Angeles em 1979 e nomeado bispo pelo Papa em 21 de junho de 2015. Era muito conhecido e querido nas periferias da metrópole. Por mais de quarenta anos se empenhou "na reforma da imigração, educação, desemprego, moradia, violência e na busca de alternativas para os jovens nas gangues", recordou o arcebispo de Los Angeles, Dom José Horacio Gómez, quando Francisco o nomeou seu auxiliar.

Em Hacienda Heights, a poucos quarteirões da Igreja de São João Vianney, grupos de fiéis se reuniram em uma vigília de oração no domingo à noite, segurando rosários e velas. Alguns deles disseram ao Los Angeles Times que o conheceram em protestos contra o aborto. Os investigadores não forneceram detalhes nem esclareceram se o bispo fosse o alvo do assassino (ou assassinos), não está claro nem se ele morto na frente ou dentro da própria casa.

David O'Connell era um "padre de rua", um daqueles de que Francisco gosta: "Acho que o mais importante é ficar nos bairros, estar com as pessoas", dizia. “É assim que podemos mudar o sul de Los Angeles: estar lá fora e trabalhar com as pessoas nos bairros". Ele esteve na linha de frente para acalmar os ânimos e promover a paz entre a polícia e a comunidade após os distúrbios de 1992 em decorrência do espancamento de Rodney King, afro-americano brutalmente espancado por policiais que foram absolvidos. "Nossas igrejas estão abertas, as pessoas que pegaram coisas podem trazê-las de volta e tentaremos devolvê-las às lojas de onde vieram", disse O'Connell na época.

Durante 14 anos foi pastor da igreja dedicada a Santa Francisca Xavier Cabrini e outra congregação próxima de Los Angeles: tratava de 8.000 famílias e duas escolas com um total de 500 alunos em bairros muito pobres. Ele ensinava às pessoas a exigir ruas e parques mais seguros e a exigir que os políticos locais cumprissem suas promessas. Recentemente estava presidindo a força-tarefa de assistência aos migrantes organizada pelas dioceses do sul da Califórnia: trabalhava com famílias que chegavam da América Central através da fronteira mexicana, visitava centros de acolhimento, facilitava a matrícula de crianças nas escolas católicas (muitas delas conseguiam depois ingressar na universidade) e organizava seminários nas paróquias para que conhecessem os seus direitos.

“É um choque e não tenho palavras para expressar minha tristeza”, escreveu o arcebispo de Los Angeles. David O'Connell era um homem de profunda oração, um pacificador com um coração para os pobres e imigrantes, e tinha paixão por construir uma comunidade na qual a santidade e a dignidade de cada vida humana fossem honradas e protegidas. Rezamos por sua família e pelas forças da ordem enquanto continuam as investigações deste terrível crime".

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