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13 Dezembro 2022

São sobretudo os migrantes, os pobres, os perseguidos pelas violências vividas cotidianamente que buscam a proteção da Virgem padroeira das Américas cuja festa se comemora hoje. A jornalista Celeste del Ángel: “É a imagem popular que nos une como mexicanos. O olhar materno de Maria é um refúgio nos dramas de hoje como foi há 500 anos para os índios".

A reportagem é de Nicola Nicoletti, publicada por Mondo e Missione, 12-12-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Todos os anos no México, em 12 de dezembro, a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe e os santuários de todo o país são visitados por milhões de peregrinos: verdadeiras multidões que procuram o local para pedir a intervenção da Mãe de Deus ou para "pagar um comando" (como dizem os mexicanos) por um dom já recebido por intercessão da Virgem que segundo a tradição em 1531 - na colina de Tepeyac, ao norte da Cidade do México – apareceu ao índio Juan Diego Cuauhtlatoatzin deixando sua imagem impressa em seu manto.

Os fiéis vão prestar graças, às vezes de joelhos, oferecendo sua dor em sacrifício. Os meios para chegar à basílica são os mais variados: alguns vão a pé vindos de diferentes locais por estafantes caminhadas, caminhões são organizados por grupos paroquiais. Mas também há iniciativas como a Guadalupana Torch Race, uma corrida de revezamento com uma tocha que chega de Guadalupe percorrendo milhares de quilômetros até a Catedral de São Patrick, em Nova York, onde há um altar dedicado à Virgem Morena, a Nossa Senhora de pele escura. Desde 2001 já foi percorrida por milhares de pessoas.

São sobretudo os migrantes, os pobres, os perseguidos pelas violências cotidianas que buscam a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, a Virgem padroeira das Américas capaz de unir os povos em conflito. Como em todos os momentos do ano, também em dezembro as caravanas de migrantes sobem do sul do continente americano para desembarcar nos Estados Unidos. Nessa peregrinação, que é também uma fuga da violência que ensanguenta países como Nicarágua, El Salvador, Haiti ou Venezuela, a chegada ao México representa uma grande aposta.

Imagens simples da Virgem, mas ricas em significado, aparecem nas poucas bagagens que os migrantes conseguem carregar em suas longas e perigosas travessias. Quando a caravana passa pela Cidade do México no dia 12 de dezembro, dia da festa, muitas vezes para na basílica para pedir proteção para uma viagem que não é isenta de perigos.

Santa Missa na festa da Virgem de Guadalupe, em dezembro de 2020 | Foto: Vatican Media

“Depois da Basílica de São Pedro em Roma, o Santuário do México é o mais visitado da Igreja Católica. Embora possa parecer um pouco contraditório, diz-se que os mexicanos não se reconhecem como católicos, mas como guadalupanos: em outras palavras, nos reconhecemos como mexicanos crentes”, explica Celeste del Ángel, jornalista mexicana que trabalha no estado de Veracruz . “Este ano celebraremos 491 anos de aparições marianas; daqui a 9 anos completaremos 500 anos, com certeza em grande estilo. Mais do que um ícone religioso, Guadalupe é a imagem popular que nos une como mexicanos”, ressalta Celeste.

A peregrinação, da qual participam mais de 80 dioceses do país, tem suas raízes nas viagens ao Santuário da Virgem que começaram a acontecer quando terminou a Guerra Cristera, o sangrento conflito entre as tropas do governo e do exército popular dos cristãos que se opunham às restrições às manifestações de fé impostas entre 1926 e 1929, quando as igrejas foram fechadas devido à insegurança causada pelas perseguições religiosas.

“Ainda hoje não faltam restrições e perigos”, explica Celeste, referindo-se aos feminicídios, à violência do narcotráfico e aos perigos que muitas pessoas ainda enfrentam na América Latina. “Para eles, Nossa Senhora de Guadalupe é refúgio e proteção, como foi para os índios que, como Juan Diego, foram os primeiros a descobrir o olhar materno de Maria”.

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