Descaso com ‘índio do buraco’ e luto por Elizabeth 2ª mostram sobrevida da colonização

Assinatura de Livro de Condolências na Embaixada do Reino Unido em Brasilia. | Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

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19 Setembro 2022


Aldear a política e eleger Congresso decolonial são chances de romper sistema perverso que Bolsonaro representa.



Para o Brasil colonial que sobrevive entre nós, vidas indígenas e negras estão na base deste ranking, prolongando o sistema de exploração perverso. A diferença agora é que somos colonizadores de nós mesmos.

 

O artigo é de Itamar Vieira Junior, geógrafo e escritor, autor de "Torto Arado", publicado por Folha de S. Paulo, 18-09-2022.

 

Uma mostra dessa sobrevida da colonização vem do próprio presidente da República, que decretou luto oficial de três dias pela morte da rainha Elizabeth 2ª e se dirigiu à embaixada do Reino Unido para assinar o livro de condolências. Sempre esperamos gestos de cortesia de um chefe de Estado, é rito comum nas relações diplomáticas. Sabemos também que ele está em campanha eleitoral e que o natural seria não demonstrar nenhuma compaixão.

 

Mas é importante demonstrar quais os reais interesses do governante e reiterar que jamais devemos esquecer as atrocidades cometidas pelo Império Britânico contra suas ex-colônias e que a monarquia é um símbolo incontornável desta trágica história.


Para a elite colonial brasileira, que ajudou a eleger Bolsonaro e continua a apoiar seu governo nefasto, a morte do indígena Tanaru não merece nenhuma menção. Não foi decretado luto nem houve anúncio de políticas para mitigar a destruição da floresta ou conter o genocídio indígena. Pelo contrário: nos últimos dias, foram publicados relatos de grande violência contra as comunidades guarani-kaiowá e guajajara. No bicentenário da Independência, há muito pouco para celebrar.


A íntegra do artigo pode ser lida aqui.

 

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