A derrota “providencial” de Donald Trump: Steve Bannon conhece os planos de Deus

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18 Agosto 2022

 

“Enfatizando que Trump está nessa luta até a morte, Bannon está reunindo um exército milenar. Qualquer coisa menos do que o compromisso total dará início à derrota nas mãos dos ímpios. Bannon enfatizou o mesmo ponto repetidamente: apesar da derrota de Trump, a batalha apenas começou”, escreve Paul Baumman, editor da revista estadunidense Commonweal, 12-08-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis o artigo.

 

Eu não sou um espectador regular da emissora C-SPAN, embora, muito contribua para o aborrecimento de minha esposa, eu navegue por vários canais. Uns dias atrás, eu tropecei em um discurso de Steve Bannon na conferência ultraconservadora CPAC que estava sendo repercutida pela C-SPAN. Eu a assisti por uns cinco minutos, até que meu alarme de mudar de canal despertou.

 

Eu não estou certo de que “conservador” é o termo correto para descrever o que a Conferência de Ação Política Conservadora – CPAC é. Minha análise é que, em anos anteriores, essa era uma seção para diferentes conservadores americanos, mas agora se parece mais com um local de devoção ao populismo raivoso de Donald Trump.

 

Bannon, recentemente condenado por não obedecer a uma intimação do Congresso do comitê que investiga o motim de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio, supostamente teve uma mão na coordenação dessa violência. Bannon já havia sido indiciado por embolsar dinheiro doado para terminar a construção do muro na fronteira, mas Trump o perdoou por isso antes de deixar o cargo. Alguém duvida que Trump perdoará todos os envolvidos na catástrofe de 6 de janeiro se ele ganhar a presidência novamente?

 

A exortação de Bannon ao público da conferência focou nas questões desgastadas da suposta fraude eleitoral, as maquinações do “estado administrativo”, a agenda esquerdista da grande mídia, a imigração e a fraude financeira praticada por banqueiros e corporativistas – muitas vezes chamados de “globalistas” – que são os responsáveis por destruir a classe média. Bannon rastreou seu próprio “despertar” sobre esses fatos à crise financeira de 2009.

 

O resgate do sistema financeiro orquestrado por Obama, argumentou Bannon, deixou os políticos ricos ainda mais ricos enquanto empobrecia a maioria dos patriotas estadunidenses. Ele elogiou Trump por falar e agir no interesse dos estadunidenses comuns, em oposição às elites corruptas e arrogantes de ambos os partidos. Os seguidores de Trump terão que estar 120% comprometidos com a próxima batalha ou a nação continuará a falhar e as forças da riqueza, privilégio e arrogância cultural triunfarão.

 

Bannon ainda é uma espécie de católico, ou pelo menos foi o que li. Ele tem sido vagamente associado a fabulistas católicos conservadores na Europa. Criado como católico, ele frequentou uma escola militar católica quando essas coisas existiam. Falar de Trump como uma figura “providencial” tem sido mais comum entre seus apoiadores cristãos evangélicos do que entre os católicos. Alguns acreditam que ele seja uma figura histórica como o rei persa Ciro, que libertou os judeus do cativeiro babilônico. Trump, dizem eles, está libertando os Estados Unidos do cativeiro do politicamente correto e da ameaça do socialismo. É um artigo de fé entre esses crentes que Deus pode usar um homem imperfeito, como Ciro ou Trump, para efetuar o destino de seu povo escolhido.

 

Achei a astuta afirmação de Bannon de que mesmo a derrota de Trump foi “providencial” particularmente audaciosa. Ele compra em uma crença histórica familiar dos millenialistas, que profetizam que o mundo vai acabar em uma determinada data. Quando o mundo não termina como predito, alguns devotos perdem a fé, mas outros encontram uma maneira de explicar o fracasso da profecia como parte de um plano maior – um teste necessário da verdadeira fé dos crentes. Claramente, é assim que Bannon está reformulando a perda de Trump.

 

Como os leais ao MAGA [Make America Great Again] respondem à “eleição roubada” é o verdadeiro teste de sua fé em Trump, mas também de sua crença na providência de Deus. Enfatizando que Trump está nessa luta até a morte, Bannon está reunindo um exército milenar. Qualquer coisa menos do que o compromisso total dará início à derrota nas mãos dos ímpios. Bannon enfatizou o mesmo ponto repetidamente: apesar da derrota de Trump, a batalha apenas começou.

 

Alguém gostaria de pensar que tais movimentos antidemocráticos não têm precedentes na política americana, mas é claro que não são. Pode ser mais correto dizer que eles geralmente não conseguem conquistar a presidência. Nixon era corrupto, mas não estava determinado a derrubar toda a ordem constitucional para salvar sua presidência. Mais importante, nem o seu partido. Trump e sua base republicana representam uma ameaça mais profunda.

 

Notícias recentes revelaram que o ex-presidente estava frustrado por sua incapacidade de cooptar os militares para seus propósitos políticos. Ele até disse a alguém que precisava de generais tão leais a ele quanto os generais alemães haviam sido a Hitler. Esse resultado é presumivelmente algo pelo qual pessoas como Bannon rezam com devoção. Esperemos que a providência divina tenha outros planos.

 

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