Imprensa falaciosa culpa um sujeito solidário pelo clima de violência. Artigo de Edelberto Behs

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19 Julho 2022

 

"Quando Bolsonaro afirma que jamais estimulou qualquer tipo de atrito a gente fica em dúvida se ele mente sem se dar conta, se esquece do que falou, ou se mente e acredita na própria mentira", afirma Edelberto Behs, jornalista.

 

Eis o artigo.

 

Mais uma vez a imprensa é a culpada, quem diria! Querem jogar no colo do Bolsonaro que ele instiga a violência, depois da morte de Marcelo Arruda. O petista foi baleado por outro policial, José Jorge Guaranho, em Foz do Iguaçu, que entrou na festa de aniversário de Marcelo, na noite de sábado, 9 de julho, gritando “Aqui é Bolsonaro” e pum, pum, pum. Um poster de Lula enfeitava o salão de festas.

 

Na segunda-feira, 11, Bolsonaro disse em conversa com jornalistas que não tinha nada a ver com o assassinato de Marcelo Arruda. Uma repórter perguntou ao presidente da República sobre o discurso que fez em Rio Branco, durante a campanha, ao afirmar que fuzilaria a petralhada do Acre. Grosso, respondeu: “Você sabe o que é sentido figurado? Você estudou português na faculdade ou não?”

 

Bom, temos um presidente que também governa em sentido figurado. Depois, ele tem usado o sentido figurado em várias ocasiões. Que desfaçatez da imprensa querer atribuir qualquer iniciativa de violência ao presidente! Ele criticou a esquerda por estar fazendo uso político do caso de Foz do Iguaçu.

 

“A gente busca sempre a paz. Vocês nunca viram eu estimulando qualquer tipo de atrito, apesar de grande parte da imprensa dizer exatamente o contrário.” Que injustiça, não é, presidente? O senhor sempre teve palavras de carinho em seus quase 30 anos de vida política.

 

Vejam só que palavras mais estimuladoras o político disse no programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, em julho de 2016. “O erro da ditadura foi torturar e não matar.” Claro, em sentido figurado! Também deve ter sido em sentido figurado que ele defendeu o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

Vejam que palavras mais amorosas sobre a situação brasileira: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com o FHC... Se vão morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente.” Isso em 1999.

 

Pelas contas, matar uns 30 mil brasileiros e brasileiras resolve o problema do comunismo, socialismo, esquerdismo, falta de patriotismo no Brasil. Matando 30 mil, o mesmo dado que usou em Rio Branco!

 

Foi mais uma vez em sentido figurado ou, agora no poder, será que está preparando a tal guerra civil ao questionar a lisura das urnas eletrônicas, o STF, incentivando militares a monitorarem o processo eleitoral?

 

Vejam que metáfora! “Policial que não mata não é policial... A polícia brasileira tinha é que matar mais!” Violência, anunciou o então candidato Jair Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional, “se combate com mais violência”.

 

Claro, a gente não entendeu: foi em sentido figurado! Afinal, esse presidente tão solidário com o povo brasileiro, o que ficou mais do que registrado durante a pandemia da covid-19, jamais instigaria violência!

 

Após o ocorrido em Foz do Iguaçu, Bolsonaro declarou, para apoiadores no Palácio do Planalto, que “o que a gente mais quer é que reine sempre a paz. O que não justifica é a violência. Esse cara [que assassinou Marcelo], pelo que tudo leva a crer, é um desequilibrado”.

 

Ao que tudo leva a crer, Bolsonaro se viu no espelho! Quando afirma que jamais estimulou qualquer tipo de atrito a gente fica em dúvida se ele mente sem se dar conta, se esquece do que falou, ou se mente e acredita na própria mentira. De qualquer forma, esse hábito tem definição na psicologia: mitomania.

 

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