Depois dos Memores, agora o objetivo é o líder do Movimento Comunhão e Libertação

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27 Setembro 2021


Comunhão e Libertação - CL estremece depois de o Papa Francisco colocou sob intervenção os consagrados do movimento fundado em 1954 pelo padre Luigi Giussani. A decisão papal, que veio por graves falhas na gestão do governo, parece, de fato, ser apenas o primeiro passo para a intervenção de todo o movimento dirigido desde 2005, ou seja, logo após a morte de padre Giussani, por dom Julián Carrón. “O Santo Padre Francisco – informa o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé – preocupado com a experiência dos Memores Domini e reconhecendo no carisma uma manifestação da graça de Deus, ordenou uma mudança na condução da associação, nomeando seu delegado especial monsenhor Filippo Santoro, arcebispo de Taranto. O Delegado Especial, a partir de 25 de setembro de 2021, assumirá provisoriamente, ad nutum da Sé Apostólica, com plenos poderes, o governo da associação, a fim de salvaguardar o seu carisma e preservar a unidade dos membros.

A reportagem é de Francisco Antonio Grana, publicada por il Fatto Quotidiano, 26-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Simultaneamente, é encerrado o atual governo geral da associação. O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida nomeou o Pe. Gianfranco Ghirlanda como assistente pontifício para as questões canônicos relativas à mesma associação”.

Um corte em plena regra para Antonella Frongillo, a agora ex-presidente dos Memores Domini, da qual fazem parte também Roberto Formigoni e as quatro consagradas que auxiliam o papa emérito Bento XVI no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. O confronto entre Vaticano e CL atingiu o auge, mas já se arrasta há algum tempo.

Também Carrón, se a Santa Sé não decidir primeiro intervindo sobre todo o movimento, terá que deixar a direção de Comunhão e Libertação até setembro de 2023, apesar de seu mandato natural terminar em 2026. O Dicastério para os leigos, a família e a vida, presidido pelo cardeal Kevin Joseph Farrell emitiu recentemente um decreto que estabeleceu que os presidentes dos movimentos eclesiais não podem permanecer no cargo por mais de dez anos. Quem, como no caso de Carrón, já passou desse prazo máximo, deverá renunciar no prazo de dois anos para permitir a eleição de seu sucessor.

A princípio, o sucessor de dom Giussani disse estar pronto para obedecer ao Vaticano. Mas depois ele repentinamente mudou de ideia, desafiando abertamente o papa e o cardeal Farrell. Em 16 de setembro, Carrón e Frongillo não participaram do encontro dos líderes dos movimentos eclesiais com Bergoglio. Em seu lugar, Carrón enviou o vice-presidente da CL, Davide Prosperi. Daí o embate, agora público, entre Comunhão e libertação e o Papa. Contudo, a base não concorda e nas redes sociais não poupou comentários, inclusive muito duros contra Carrón. Com a intervenção de todo o movimento, de fato, o risco é a perda total da autonomia da CL com a consequência de comprometer o futuro da realidade fundada por dom Giussani. O que, segundo os membros da Comunhão e Libertação, parece mais necessário do que nunca agora é evitar que personalismos e ressentimentos possam destruir uma realidade profundamente enraizada. De resto, o Papa nunca viu com bons olhos o movimento. E isso certamente não é uma novidade.


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