Covid-19 na Índia. Card. Gracias (presidente dos bispos): “Um tsunami infelizmente previsível”

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28 Abril 2021

 

"A segunda onda nos atingiu como um tsunami". Este termo é usado pelo arcebispo de Bombaim e presidente da Conferência Episcopal, card. Oswald Gracias para descrever a situação das infecções e mortes na Índia, onde até 24 horas atrás, se contavam mais de 300 mil novas infecções e mais de 2 mil mortes diárias. A falta de oxigênio é a emergência central desta segunda onda. “Muitos morrem sem oxigênio”, relata o cardeal que propôs, para sexta-feira, 7 de maio, um dia de oração e jejum pelas vítimas, pelo país e pelo governo que “está trabalhando para a nossa segurança. Não é hora de fazer política, mas sim de ser solidários”.

A segunda onda da epidemia de Coronavírus foi um verdadeiro “tsunami” para a Índia que “o governo não havia previsto nem planejado”. “Uma falta de planejamento” que teve como “consequências a falta de leitos hospitalares, medicamentos antivirais, oxigênio e vacinas”. Contatado por telefone pelo SIR, o cardeal Oswald Gracias, presidente da Conferência Episcopal da Índia e arcebispo de Bombaim, informou sobre a situação da epidemia na Índia. Os números de infecções e mortes falam de uma grave crise humanitária. Mais de 300 mil novas infecções e mais de 2 mil mortes são registradas todos os dias. O número total de vítimas ultrapassou os 17 milhões de contaminados. Esses são os números mais altos desde o início da pandemia. De acordo com especialistas, porém, essas são estimativas subestimadas, que não incluem casos não confirmados e muitas mortes atribuídas a doenças pré-existentes. “Muitos estão morrendo e morrendo sem oxigênio”, disse o cardeal que se encontrará na próxima semana via zoom com o Papa Francisco para o encontro do “Conselho dos Cardeais”, o C9, do qual faz parte. “Faltam as conexões. Recebemos ajuda da Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, também de Cingapura e Hong Kong. Esperamos que dentro de alguns dias, a crise seja superada. Devemos aprender com a Europa e com outros países que já chegaram à terceira onda”.

A entrevista é de M. Chiara Biagioni, publicada por AgenSIR, 27-04-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Eminência, pode nos contar como está a situação agora?

A segunda onda nos atingiu como um tsunami. Vimos o vírus se espalhar rapidamente. Uma onda que infelizmente o governo não havia previsto nem planejado. Assim, a epidemia nos pegou de surpresa. Os hospitais lotaram rapidamente e muitas pessoas morreram por falta de oxigênio. Mas posso dizer que nos últimos dias estou vendo uma lenta melhora. A gestão do vírus está lentamente voltando ao controle. Finalmente estamos trabalhando juntos. O oxigênio está começando a chegar e as vacinações também estão reiniciando. A situação não está melhorando em todo o país, mas posso dizer que aqui em Mumbai está melhorando. Em Nova Délhi, no entanto, me falaram que a situação está pior. Infelizmente, devo dizer, estamos sofrendo as consequências de uma falta de planejamento.

O senhor lançou um apelo.

Sim, fiz um apelo para pedir às pessoas que sigam as regras do governo: usem máscaras, mantenham distâncias físicas e higienizem as mãos, além de atenderem as restrições e os toques de recolher impostos para romper a cadeia de infecções. Lançamos para os cristãos também uma jornada de jejum e oração que será celebrada no dia 7 de maio pelas vítimas do Coronavírus, pela luta contra a epidemia e pelo governo que está trabalhando para a segurança de nosso país. Não é hora de fazer política, mas sim de ser solidários.

Como foi possível morrer por falta de oxigênio?

A falta de oxigênio é a emergência central desta segunda onda. Também os nossos hospitais em Mumbai e Nova Délhi também tiveram dificuldades. O problema foi principalmente o transporte de oxigênio entre uma federação e outra. Espero que em alguns dias a situação, também desse ponto de vista, possa melhorar.

O senhor quer lançar um apelo?

Não quero lançar um apelo por ajuda, mas por oração. Oração pelas pessoas, oração pelo governo, oração para que nosso país possa superar esta crise o mais rápido possível. Repito: esta segunda onda era realmente previsível, mas nos deixamos apanhar despreparados. Acreditávamos que tudo havia passado. Havíamos ultrapassado a primeira onda com tranquilidade. Mas, em vez disso, as coisas se complicaram.

Como as pessoas estão reagindo?

As pessoas não perderam a esperança. A esperança não está morta aqui. Todas as religiões estão trabalhando juntas ao lado da população. Nós, como Igreja Católica, estamos trabalhando por meio da Caritas e dos hospitais católicos. A Caritas, especialmente na primeira fase da epidemia, apoiou as pessoas que fugiram das cidades com medo de contrair o vírus. Nós as hospedamos em nossas escolas e em nossas casas. Ao governo, por outro lado, oferecemos a imediata disponibilidade de colaborar para ajudar.

 

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