Norte do Sinai, ISIS executa um cristão copta: havia financiado a construção de uma igreja

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20 Abril 2021

 

Nabil Habashi Khadim, 62, era um estimado comerciante e filantropo. Ele foi sequestrado em 8 de novembro e morto com um tiro de Kalashnikov na cabeça. O vídeo da morte divulgado pelo movimento jihadista. Entre os motivos do assassinato, o fato de ter contribuído para a construção do único local de culto cristão em Bir Al-Abd.

A reportagem é publicada por Asia News, 19-04-2021. A tradução de é Luisa Rabolini.

O Estado Islâmico (SI, ex-Isis) executou um cristão copta egípcio ortodoxo, matando-o com uma bala na cabeça em uma execução filmada e divulgada ontem nos canais sociais do grupo jihadista e compartilhada por inúmeros usuários e plataformas. A vítima, já considerada um "novo mártir" pelos ortodoxos do país, é um estimado intelectual e empresário de 62 anos, Nabil Habashi Khadim, sequestrado em 8 de novembro na cidade de Bir Al-Abd, no norte do Sinai, morto com uma Kalashnikov enquanto estava ajoelhado no chão.

Imagem: Nabil Habashi Khadim

Fontes locais relatam que o homem contribuiu para a construção do único local de culto cristão da cidade, a igreja de Nossa Senhora de Anba Karras. Esse também é um dos motivos que levaram o comando jihadista a sequestrá-lo nos últimos meses; no vídeo, um dos algozes pertencentes à célula local do Daesh (sigla em árabe para o SI) acusa explicitamente o homem de ter contribuído, inclusive financeiramente, para a construção da igreja pouco antes de puxar o gatilho e executá-lo. O grupo jihadista também acusa a Igreja de "colaboracionismo" com o exército, a polícia e os serviços secretos egípcios.

Outros ainda vinculam o momento do assassinato às próximas férias da Páscoa, que acontecerão em 2 de maio para os coptas ortodoxos.

Testemunhas relatam que Nabil Habashi Khadim, o último de uma "longa linha de mártires do Norte do Sinai", era um joalheiro estimado da cidade de Bir Al-Abd. Sua família é considerada uma das mais antigas da comunidade copta da região, muito ativa no comércio de ouro, além de possuir uma loja de roupas e revenda de telefones celulares. Em 8 de novembro passado, um grupo de homens armados, mas à paisana, sequestrou-o na rua em frente à casa e fugiu sem ser perturbado. Em todos esses meses, as buscas das forças policiais e os apelos da família para sua libertação foram em vão.

Sua morte causou tristeza e emoção na comunidade copta egípcia, cujo líder, o papa Tawadros II, emitiu uma nota de condenação e pediu orações pelo homem "sequestrado por elementos takfiri no Norte do Sinai há cinco meses e posteriormente martirizado". A Igreja, prossegue a nota, “chora por um filho e servo fiel” que agora se encontra na glória celestial de Cristo por ter “testemunhado a sua fé até ao sacrifício de sangue”. A declaração conclui confirmando o apoio da comunidade copta ortodoxa "aos esforços do Estado egípcio" para conter "esses atos hediondos de terrorismo" e "preservar nossa prezada unidade nacional" por um "futuro de paz e prosperidade".

Uma guerrilha por grupos extremistas islâmicos já dura há anos no norte do Sinai, e se intensificou após a derrubada do presidente Mohamed Morsi em 2013 e a ascensão do Estado Islâmico na região no ano seguinte. Vários cristãos também estão na mira, mortos em ataques direcionados contra indivíduos e grupos de fiéis. Em fevereiro de 2018, as forças de segurança egípcias, do exército e da polícia lançaram uma campanha massiva contra grupos armados e jihadistas, com particular atenção para a área do Norte do Sinai.

Imagem: Norte do Sinai

Em pouco mais de dois anos, foram mortos mais de 840 suspeitos terroristas e mais de 60 militares.

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