Biohacker: mudar o DNA como filosofia de vida

Foto: Flickr CC/Genome Research Limited

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25 Fevereiro 2021

"Um novo tipo de piratas povoa os mares do mundo digital: os biohackers que estão criando uma nova subcultura que se coloca na encruzilhada entre a cultura hacker e algumas visões do corpo como uma obra de arte dos grupos fundadores da body art", escreve Paolo Benanti, teólogo e frei franciscano da Terceira Ordem Regular, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e acadêmico da Pontifícia Academia para a Vida, em artigo publicado por L'Osservatore Romano, 13-02-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

E se depois das tatuagens, piercings e body art, a fronteira para modificar o nosso corpo fosse o DNA? Um novo tipo de piratas povoa os mares do mundo digital: os biohackers que estão criando uma nova subcultura que se coloca na encruzilhada entre a cultura hacker e algumas visões do corpo como uma obra de arte dos grupos fundadores da body art.

Dos hackers se copia o espírito de experimentação e indagação que nos anos 1970 abriu caminho para uma série de descobertas excepcionais feitas por outros hackers (muitas vezes muito jovens) que conseguiram, com poucos e rudimentares meios, realizar projetos inovadores e "forçar" mais e mais as capacidades das máquinas então disponíveis. Além disso, quando o interesse dos hackers começou a se transferir também para o hardware, surgiu uma nova exigência: a de espalhar os computadores entre as massas, criando essencialmente uma nova relação entre o homem e a máquina.

A body art é responsável pelo tema da corporeidade ligada a um uso inusitado do corpo: os eventos estéticos são colocados como momento de indagação profunda de si e a corporeidade afirma-se como território privilegiado da busca identitária. É interessante notar que ambos os movimentos surgem dentro dos processos de mudança histórica e social intimamente ligados aos eventos do final dos anos 1960 e 1970.

Os biohackers são pessoas e comunidades que fazem pesquisas biológicas no estilo hacker, ou seja, fora das instituições, de forma aberta e horizontal, compartilhando informações. “Trata-se de experiências nas quais, por meio da rede ou da construção de laboratórios aos quais qualquer pessoa pode ter acesso e participar, procuramos tornar a biologia mais coletiva e aberta” (Alessandro Delfanti, Biohacker. Scienze della vita e società dell’informazione, Eleuthera, 2013). Assim como acontece na produção de software open source.

Mudar a própria composição genética está se tornando cada vez mais comum. Como? Usando a ferramenta de modificação genética Crispr: uma técnica precisa e poderosa que usa a molécula Cas9 e um sistema bacteriano presente em cerca de metade das bactérias e 90 por cento das arqueobactérias. O número de possibilidades técnicas à disposição do homem levanta cada vez mais o problema da relação que deve existir entre a possibilidade técnica e a possibilidade ou licitude moral de aplicar essas mesmas técnicas.

A Algoritmização da vida no contexto da Covid-19. Implicações éticas e teológicas

 

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