‘Nosso país cheira a pólvora e sangue’, denuncia coordenadora do movimento Mães de Maio

Mais Lidos

  • O Apocalipse não é o fim do mundo, mas a salvação do cristão. Artigo de Enzo Bianchi

    LER MAIS
  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS
  • Veja o que pode mudar após Câmara aprovar fim da escala 6x1

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

12 Dezembro 2020

Coordenadora do movimento Mães de Maio participou de encontro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos nesta quarta (9/12): “precisamos acabar com essa polícia que mata crianças”.

A reportagem é de Débora Lopes, publicada por Ponte, 09-12-2020.

Nesta quarta-feira (9/12), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizou uma audiência online sobre violência policial e racismo contra afrodescendentes com a participação de ativistas e organizações da sociedade civil de todas as partes da América, inclusive do Brasil.

Débora Maria da Silva, 61, coordenadora do movimento Mães de Maio, estava presente. “Estamos aqui para denunciar mais uma vez o nosso país, que cheira a pólvora e cheira a sangue”, iniciou sua fala.

 

A ativista, que luta pela investigação e punição dos grupos de extermínio que provocaram diversas mortes durante os Crimes de Maio de 2006, mencionou o caso recente das primas Emily e Rebeca, mortas por um tiro de fuzil na porta de casa, no Rio de Janeiro: “Crianças estão sendo executadas no país. Temos uma das polícias mais violentas do mundo e não podemos admitir. Não há punição para os algozes dos nossos filhos”.

Recentemente, a Ponte publicou uma reportagem sobre o projeto de lei nº 734/2020, que oferece assistência jurídica, financeira e de saúde para familiares de vítimas da violência provocada por agentes do Estado. O PL foi criado pelo grupo Mães de Maio, fundado por Débora e outras mulheres que perderam seus filhos em 2006, e protocolado pelo vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT).

Durante a audiência, Débora pediu justiça para as vítimas e punição para os assassinos: “Precisamos acabar com essa polícia que mata crianças, mata famílias inteiras”.

Scheila de Carvalho, advogada brasileira de direitos humanos e integrante da Uneafro e da Coalizão Negra por Direitos, mencionou o nome de diversas pessoas negras que foram vítimas da polícia em diferentes partes da América: “Estamos aqui por Breonna Taylor, George Floyd, João Pedro, Anderson Abolerda, Emily dos Santos, Rebeca dos Santos, e eu poderia ficar o resto dessa audiência falando os nomes de pessoas que perdemos em 2020 e não seria o suficiente”. “Viemos aqui com esse apelo, viemos mostrar que a gente tem um problema em comum que precisa de atenção”, denunciou.

Leia mais