Os treze novos cardeais virão a Roma durante a pandemia?

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29 Outubro 2020

O anúncio do papa Francisco em 25 de outubro de que deveriam ser criados novos cardeais no próximo mês veio no mesmo dia em que o governo italiano emitiu um “novo semi-lockdown” para a população do país, urgindo com as pessoas para não viajarem para fora de suas comunidades devido ao aumento no número de infectados pelo coronavírus.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 28-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O que farão os 13 homens, agora indicados a compor o mais seleto grupo de prelados a partir da cerimônia de 28 de novembro no Vaticano? Muitos deles estão nos seus 70 e 80 anos, e talvez sejam hesitantes em viajar durante a pandemia global.

Normalmente, os novos cardeais se juntariam aos atuais para irem a Roma para o evento, conhecido como consistório. Mas vários advogados canônicos enfatizaram ao NCR que Francisco poderia, em vez disso, pedir aos cardeais globais que ficassem em casa e conduzir a cerimônia sem eles.

“O fato é que eles não precisam estar aqui”, disse Nicholas Cafardi, um advogado civil e canônico que aconselhou bispos e dioceses em questões canônicas por décadas, sobre os novos cardeais.

Cafardi observou que o Código de Direito Canônico da Igreja especifica que os cardeais são feitos “por um decreto” do Papa que é “tornado público na presença do colégio cardinalício”.

O canonista sugeriu que Francisco poderia dizer aos cardeais fora de Roma para ficarem em casa e fazerem uma cerimônia menor apenas com aqueles que vivem na Cidade Eterna.

“Os cardeais são constituídos por decreto”, disse o canonista. “Não é quando [Francisco] lhes dá o anel de cardinalato. Não é quando ele coloca o barrete em suas cabeças. É quando o decreto é publicado”.

“As pessoas pensam que a cerimônia faz o homem”, disse Cafardi. “Não importa, pelo menos não quando você é um cardeal”.

A irmã Sharon Euart, ex-coordenadora executiva da Sociedade Americana de Direito Canônico, disse que, embora um consistório normalmente envolva todos os cardeais do mundo, a pandemia pode exigir uma mudança na prática.

“Viver na época da covid-19 exige mudanças que necessitam de afastamento dos costumes e até a dispensa [da] lei”, disse Euart, agora diretor-executivo do Centro de Recursos para Institutos Religiosos.

“Resta ao papa Francisco determinar como o próximo consistório abordará a presença física durante a pandemia”, disse ela.

A assessoria de imprensa do Vaticano não respondeu imediatamente à pergunta sobre se Francisco havia dado instruções especiais aos cardeais sobre o consistório de 28 de novembro.

Os números diários de infecção por coronavírus na Itália aumentaram continuamente desde o início de outubro. A agência de proteção civil do país relatou 21.273 novas infecções em 25 de outubro, mais de três vezes mais do que as relatadas no pior dia durante o primeiro pico do país em março.

O governo italiano lançou uma série de novos decretos nas últimas semanas para resolver o aumento de casos. O último decreto, que entrou em vigor em 26 de outubro, determinou o fechamento de todos os bares e restaurantes do país às 18 horas, em todos os dias, e os italianos “fortemente recomendados” a não deixarem suas cidades de residência.

Quatro dos 13 novos cardeais já têm mais de 80 anos, o que significa que não poderão entrar em um eventual conclave para eleger o sucessor de Francisco como Papa. Três desses quatro já são residentes na Itália.

Dos nove novos cardeais com menos de 80 anos, quatro residem na Itália. Os dois mais velhos desse grupo não radicados na Itália são Celestino Aós Braco, de 75 anos, arcebispo de Santiago, Chile; e Wilton Gregory, de 72 anos, arcebispo de Washington D.C., EUA.

Gregory também pode ter problemas para entrar na Europa vindo dos EUA. A maioria dos cidadãos dos EUA foi impedida de entrar no continente desde março, devido à alta taxa de infecção por coronavírus nos EUA.

Um típico consistório é realizado na Basílica de São Pedro, com cada um dos novos cardeais recebendo, formalmente das mãos de Francisco, o anel e o barrete, diante do altar-mor da igreja.

Euart sugeriu que Francisco enviasse esses itens aos novos cardeais que vivem fora de Roma por meio do núncio do Vaticano em seu país. “É um novo momento que exige novas práticas”, disse ela.

O padre James Coriden, um advogado canônico que anteriormente lecionou na agora fechada Washington Theological Union, concordou. “Parece-me que o Papa pode configurar o consistório conforme as circunstâncias exigirem”, disse ele.

“Limitar-se aos cardeais em Roma, ou mesmo apenas a alguns deles, dependendo do status da pandemia”, sugeriu Coriden. “Certamente nem todos os novos precisam estar presentes”.

Pelo menos um cardeal anteriormente nomeado por Francisco não pôde vir a Roma para sua cerimônia: o já falecido Loris Francesco Capovilla, que havia servido como secretário pessoal do papa João XXIII. Feito cardeal por Francisco em 2014 aos 98 anos, Capovilla recebeu em casa seu anel e chapéu do cardeal Angelo Sodano, então decano do Colégio dos Cardeais.

Cafardi observou que no início de seu papado, em março de 2013, Francisco exortou aos argentinos que pretendiam vir a Roma para comemorarem sua eleição como pontífice em casa e oferecerem o dinheiro que gastariam na viagem aos necessitados.

“Fique em casa e dê o dinheiro aos pobres”, sugere o canonista ao Papa, para que diga aos mais novos cardeais. “Ainda mais agora. Fiquem em casa e não arrisquem suas vidas viajando”.

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