A FAO busca reduzir a perda e o desperdício de alimentos

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07 Agosto 2020

Em todo o mundo, 14% dos alimentos se perdem antes de chegar aos destinos, e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançou uma nova plataforma para ajudar a reduzir esses danos e desperdícios por parte dos consumidores.

A reportagem é publicada por Rebelión, 06-08-2020. A tradução é do Cepat.

A plataforma apresenta, via internet, informações sobre medições, reduções, políticas, alianças, medidas e exemplos de modelos satisfatórios aplicados para reduzir a perda e o desperdício de alimentos em todo o mundo.

Desperdiçar alimentos "significa desperdiçar recursos naturais escassos, aumentar os efeitos da mudança climática e perder a oportunidade de alimentar uma população crescente no futuro", disse o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu.

No mundo, 690 milhões de pessoas passam fome e se as tendências dos últimos anos não forem revertidas, até 2030, poderá ser 840 milhões, segundo a FAO.

Uma área fundamental é a perda, ou seja, a diminuição da quantidade e qualidade dos alimentos como resultado das decisões e ações dos fornecedores da cadeia alimentar, excluindo os varejistas, prestadores de serviços de alimentação e consumidores finais.

Esses 14% que se perdem globalmente têm um valor anual de 400 bilhões de dólares, de acordo com a FAO, e também se associam com as emissões de gases do efeito estufa equivalentes a 1,56 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2).

Os alimentos se perdem quando estragam ou são derramados antes de chegar como produto final ou na etapa de venda no varejo. Por exemplo, os produtos lácteos, carne e peixe podem estragar durante a sua viagem por conta de serviços inadequados de transporte refrigerado e armazenamento frio.

As perdas são maiores nos países do Sul em desenvolvimento: 20,7% na Ásia meridional e central, 14% na África Subsaariana e 11,6% na América Latina e no Caribe, contra 5,8% nos países mais desenvolvidos, como a Austrália e a Nova Zelândia.

As principais perdas afetam raízes, tubérculos e cultivos de oleaginosas (25%), frutas e legumes (22%), carnes (12%) e também cereais e leguminosas (8,6%).

A perda e o desperdício "são um sinal das dificuldades dos sistemas alimentares. Além disso, os alimentos nutritivos são os mais perecíveis e, portanto, os mais vulneráveis. Não apenas se perdem, mas ficam com a parte nutricional prejudicada”, disse Lawrence Haddad, da Aliança Mundial para Melhoria da Nutrição.

O desperdício se refere à diminuição da quantidade e qualidade dos alimentos como resultado das decisões e ações dos varejistas, provedores de serviços de alimentação, como os restaurantes, e os consumidores.

A FAO reconhece a medição de desperdício como uma questão complexa, mas enfatiza que os alimentos que não são consumidos significam desperdício de recursos como mão-de-obra, terra, água, solo e sementes, transporte, armazenamento e aumento em vão das emissões de gases do efeito estufa.

As inovações tecnológicas são bem vistas para economizar alimentos e enfrentar impactos ambientais. Por exemplo, no Quênia e na Tanzânia, as instalações de resfriamento de leite, usando energia solar, evitam perdas de produtos sem aumentar as emissões de gases do efeito estufa.

A FAO estimula a busca de soluções tecnológicas para o gerenciamento pós-colheita, embalagens de alimentos mais apropriadas, hábitos de consumo mais adequados, políticas governamentais destinadas a reduzir o desperdício de alimentos e a redistribuição dos excedentes inócuos para pessoas carentes por meio de bancos de alimentos.

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