Paróquia acolhedora é “bálsamo dentro de uma Igreja que continua a ferir”. Testemunho de Jason Steidl, teólogo

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23 Abril 2020

“Como gay, muitas vezes parece impossível continuar católico”, escreve o teólogo Jason Steidl em artigo publicado na revista Commonweal dentro de uma série sobre o catolicismo americano contemporâneo, intitulada “The American Parish Today” (A paróquia americana hoje).

A reportagem é de Melissa Feito, publicada por New Ways Ministry, 20-04-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Steidl, professor visitante de estudos religiosos na St. Joseph’s College, escreve sobre a experiência de encontrar uma paróquia afirmativa na Igreja São Paulo Apóstolo, em Manhattan, Nova York, após uma longa caminhada até descobrir o seu “chamado como gay”.

No texto, intitulado “Afirmação necessária”, Steidl escreve sobre o poder curativo radical de uma comunidade de fé afirmativa como sendo uma necessidade primária para se viver a fé. Steidl visitou o ministério daquela comunidade, o Out at St. Paul (ou simplesmente OSP), pela primeira vez em 2015. Desde então, soube que havia encontrado uma comunidade de cura:

“A comunidade que o OSP me providenciou aquela noite – e desde então – tem sido um bálsamo dentro de uma Igreja que continua a ferir”.

A experiência de ser ferido pela Igreja ressoa entre muitos católicos LGBTQs. A Igreja é diversa e, no entanto, muitas lideranças católicas ainda continuam privando a nossa comunidade LGBTQ de seus direitos e de sua dignidade. É por isso que é tão importante estar em uma comunidade que afirma aquilo que as pessoas são. Steidl escreve sobre a dificuldade de continuar católico:

“Como gay, muitas vezes parece impossível continuar católico. Grande parte do ensino oficial da Igreja é danoso, prejudicial, e muitos dos seus representantes são homofóbicos. Sempre que minha alma dói, porém, encontro cura e um lar na São Paulo Apóstolo. Sou católico porque sei que sou amado e apoiado aqui. O ministério OSP é o coração de Cristo batendo pelas pessoas LGBTQs”.

Steidl, que contribui para o blog Bondings 2.0 como blogueiro convidado, compartilhou anteriormente sua experiência negativa e dolorosa com o Courage, ministério católico que promove uma abordagem em 12 etapas para os católicos que vivem aquilo que chamam de “atração pelo mesmo sexo”, visando incutir a prática do celibato. O seu texto, “The Courage to Be Me” (A coragem para seu eu), também descreve o caminho que teve de percorrer na integração de sua fé e sua sexualidade.

Steidl observa que a visibilidade do ministério OSP atraiu críticas, tanto da Arquidiocese de Nova York quanto de grupos externos que perguntam “por que os católicos LGBTQs não conseguem ficar calados?” Realmente, “calado” é uma palavra que não se pode empregar para descrever o OSP. Fundado em 2010, este ministério atraiu muitos membros orgulhosos da comunidade LGBTQ e simpatizantes do bairro Hell’s Kitchen. O ministério OSP nunca tentou esconder o que faz: uma missa trimestral, eventos sociais regulares, palestras, atividades voluntárias para ajudar os afetados pelo HIV/Aids, inclusive celebrando, anualmente, uma missa durante a Parada do Orgulho LGBTQ na Praça Sheridan, Nova York, nos arredores do histórico Stonewall Inn.

Mas além de todos esses eventos e atividades, o OSP é um lugar para uma verdadeira afirmação, onde as pessoas LGBTQs podem se ver à imagem e semelhança de Deus:

“Muitos membros deste ministério namoram ou estão casados. Nossas diversas sexualidades e gêneros são expressões do divino, presentes à Igreja e ao mundo. Não nos envergonhamos da bondade de Deus revelada em nossos relacionamentos românticos e sexuais, que testemunham contra uma tradição que nos descreve como “intrinsecamente desordenados”.

Steidl escreve que o OSP também tem espaço para crescer. Majoritariamente composto por pessoas brancas, masculinas, cisgêneros e de classe média alta, o OSP tem adotado uma abordagem interseccional nos últimos anos. Além disso, embora alguns membros tenham passado a frequentar o seminário para avançar em direção à ordenação sacerdotal, oportunidades como estas não existem para as mulheres do grupo.

As comunidades afirmativas devem continuar crescendo, principalmente fora das grandes áreas metropolitanas. Em uma Igreja de coração dividido, a necessidade de uma comunidade que afirma a pessoa segundo a sua singularidade dada por Deus está sempre a crescer e é sempre necessária.

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