‘Medo é a palavra que define Paraisópolis hoje’, lamenta padre

Reprodução: Ponte Jornalismo/YouTube

Mais Lidos

  • “Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

    Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

    LER MAIS
  • Lula em reunião do G-7: "Eu nunca fui de esquerda"

    LER MAIS
  • Pesquisadores refletem sobre possíveis riscos e efeitos do El Niño em 2026 à luz das enchentes de 2024 e das ações realizadas pelo poder público nos últimos dois anos

    El Niño no RS: probabilidade de cheias é dobrada, mas há incerteza sobre a magnitude do fenômeno climático. Algumas análises

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

10 Março 2020

Luciano Borges, que atua há 13 anos na favela, fala sobre os impactos da morte de jovens sobre a comunidade e a sensação de insegurança entre os moradores.

A reportagem é de Arthur Stabile e Pedro Ribeiro Nogueira, publicada por Ponte, 09-03-2020.

Nascido no Rio de Janeiro, o padre Luciano Borges Basílio, 45 anos, atua há 13 anos como pároco da Paróquia São José, que fica localizada em Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo. “Em Paraisópolis tudo é muito”, afirma, referindo-se tanto ao tamanho dos problemas quanto à grandiosidade de seus moradores: “Esta comunidade, formada 99% por nordestinos, tem uma acolhida espetacular”.

 

Desde 1º de dezembro, o rebanho que o padre Luciano conduz passou a conviver com um de seus momentos mais difíceis, com o massacre de 9 jovens ocorrido após a ação da PM no baile funk da DZ7, em 1º de dezembro, e o sequestro e assassinato de três jovens por desconhecidos, em 6 de fevereiro.

A resposta natural da população, explicou o padre, é o medo. “A sensação é de insegurança. Medo talvez seja a palavra que mais bem define Paraisópolis”, resumiu o religioso, que cobra mais participação do poder público nos becos e vielas nos quais propaga sua fé.

De acordo com Luciano, o poder público tem sido omisso mesmo depois das mortes. “Muito falou-se desde o massacre e, até agora, pouco se fez”, criticou. Segundo ele, até mesmo a PM deixou Paraisópolis, atua só no entorno, o que “gera distanciamento e não a relação de confiança”.

Leia mais