No Vaticano, cardeal mostra-se cético sobre padres casados para a Amazônia

Marc Ouellet | Foto: Reprodução - Youtube

Mais Lidos

  • Leão XIV proclama o segredo mais bem guardado da Igreja Católica em ‘Magnifica Humanitas’. Artigo de Thomas Reese

    LER MAIS
  • ​Prevenção da violência, enfrentamento da criminalidade e recuperação de jovens em conflito com a lei dependem de políticas que ultrapassem o punitivismo penal, defende o advogado

    Redução da maioridade penal e a lógica punitivista: “A segurança pública não será alcançada apenas por meio do aumento da punição”. Entrevista especial com Alexander Rodrigues de Castro

    LER MAIS
  • Lefebvrianos, a Santa Sé formaliza o cisma: "As portas se abrem para os fiéis que não aderirem"

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

03 Outubro 2019

Um importante cardeal que serve no Vaticano mostrou-se cético sobre a ordenação de homens casados para enfrentar a escassez sacerdotal na Amazônia, defendendo o valor do celibato sacerdotal na véspera da grande assembleia em Roma onde a questão está oficialmente posta para debate.

A informação é publicada por National Catholic Reporter, 02-10-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Cardeal Marc Ouellet concedeu uma rara coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 2 de outubro, para lançar o seu livro “Amigos do esposo: por uma visão renovada do celibato sacerdotal” (Edições Cristo Rei, 2019), que fala abertamente sobre os desafios enfrentados pelos padres na atualidade, em meio a um declínio nas vocações e a danos à reputação da Igreja em decorrência dos escândalos de abusos sexuais.

Ouellet, canadense, prefeito da Congregação para os Bispos e membro da comissão da Santa Sé para a América Latina, reconheceu que a região amazônica sofre de uma escassez de padres e que está aberto para o debate sobre como enfrentar a questão durante o Sínodo para a Amazônia a ocorrer neste mês de outubro.

Mas mostrou-se cético quanto à proposta de se ordenar homens casados, observando que a região sequer tem catequistas suficientes para ensinar os leigos sobre a fé, muito menos para formar diáconos e padres indígenas.

“Eu me faço essa pergunta. Sou cético. E acho que não sou o único”, disse ele. “E acima de mim existe alguém que é ainda mais cético e que autorizou o debate, e isso é bom”, declarou o prelado em uma aparente referência ao Papa Francisco.

O sínodo dos dias 6 a 27 de outubro deverá ser um dos mais polêmicos desde o começo do atual pontificado. Oficialmente, a assembleia abordará um leque de temas relacionados à Amazônia, incluindo questões ambientais de desmatamento e as necessidades pastorais dos povos indígenas.

O tema, no entanto, que recebeu uma maior atenção é a proposta, presente no documento de trabalho, de se realizar um estudo sobre se homens casados podem ser ordenados ao sacerdócio, para que os católicos indígenas, em comunidades remotas, possam receber os sacramentos com maior regularidade, visto que muitos ficam meses sem estar na presença de um padre.

Este ceticismo de Ouellet é significativo, pois ele é um importante assessor do Papa Francisco no Vaticano, conhece bem a realidade da Igreja latino-americana e, de forma alguma, faz parte do grupo de cardeais, bispos e leigos conservadores anti-Francisco que se opõem à pauta deste sínodo.

Ouellet defendeu o valor do sacerdócio celibatário, observando que o sacrifício dos homens que abrem mão de uma família para se tornar padres é, em si, um testemunho poderoso e “incomparável” de evangelização que a Igreja Católica necessita hoje.

 

Leia mais