Argentina. Além da desaprovação popular, Macri é contestado na própria base

Maurício Macri e Jair Bolsonaro, em Brasília, 16-01-2019. Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 13 Fevereiro 2019

A coalizão Cambiemos surgiu em 2015 para transformar a política argentina até então dominada pelo peronismo. A união entre o partido de direita Propuesta Republicana — PRO, de Maurício Macri, e o Unión Civica Radical – UCR, de lideranças históricas como Hipólito Yrigoyen e Raúl Alfonsín, somaram nas eleições presidenciais uma vitória apertada sobre Daniel Scioli, o representante do peronismo kirchnerista. Depois do fracasso econômico do governo de Macri, a coalizão inicia a campanha de reeleição em desacordo entre as províncias, que também elegerão seus governadores, e o comando nacional.

A proposta do Cambiemos na sua formulação em 2015 foi focada em três eixos: eliminar a pobreza, combater o narcotráfico e unir o povo argentino. Nos três anos de governo, Macri não apresentou mudanças substanciais em nenhum desses pontos. A pobreza aumentou e a inflação acumulada chega a 158%. Por outro lado, segundo o Sistema Nacional de Estadística Criminal — SNIC, o número de homicídios diminuiu em 20% desde a última eleição presidencial. Entretanto, a redução anual no atual governo foi semelhante aos dados no governo de Cristina Kirchner em 2014 e 2015, redução entre 13 e 14%.

A unidade do povo argentino dista ainda mais das pretensões do Cambiemos. Em pesquisa divulgada em janeiro de 2019 pela Taquion Research Strategy, 61,5% dos argentinos querem uma mudança na presidência. Entre os que se identificaram como eleitores de Macri em 2015, 60,2% afirmam que não votariam nele novamente. Em outra pesquisa, da consultora Opinaia, divulgada em 27-01, 78% dos argentinos desaprovam o atual governo.

A impopularidade e o insucesso do Cambiemos ressoam nas outras peças da coalizão. Líderes da UCR manifestam publicamente o descontentamento com o papel coadjuvante que cumprem dentro do governo e da chapa eleitoral.

Alfredo Cornejo, presidente da UCR e governador da província de Mendonza, declarou na semana passada em entrevista ao portal Perfil que prefere votar em um candidato do seu partido a votar em Macri. Para as eleições provinciais de Mendonza, Cornejo já anunciou que a UCR estará desvinculada da campanha presidencial do Cambiemos. Esse movimento respalda setores do partido a pleitearem a candidatura à vice-presidência ou até mesmo à presidência na coalizão.

Embora Cornejo afirme que não há um nome do radicalismo para disputar a presidência, o jornal La Nación aponta Martín Lousteau como o nome preferido das lideranças do partido. Lousteau atualmente é o embaixador argentino nos EUA e já foi ministro da Economia nos primeiros cinco meses de governo de Cristina, quando a UCR ainda fazia parte da base kirchnerista.

Apesar do impasse que o radicalismo tem gerado na base governista, o Cambiemos ainda não confirmou se realizará eleições internas. Segundo Cornejo, uma eleição interna pode desestabilizar ainda mais o governo e a economia, sendo mais fácil aceitar uma candidatura de Macri. No entanto, o radicalismo vê como estratégico que a chapa seja fechada com alguma liderança do interior do país e de outro partido. A atual vice-presidente Gabriela Michetti também bonaerense e membro do PRO.

As divergências na base governista deixam o cenário imprevisível para as eleições de outubro, visto que também não há certeza nas candidaturas de oposição. Cristina aparece como o principal nome, liderando as duas últimas pesquisas eleitorais, uma do instituto Federico González y Asociado e outra do Centro de Estudios de Opinión Pública — CEOP. Porém, o processo que enfrenta na justiça gera temor na base kirchnerista de uma possível prisão.

Sem a candidatura de Cristina, Macri mesmo com a maior rejeição, lidera as pesquisas.

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