Oito dioceses canadenses interrompem doações para organização católica Développement et Paix

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13 Abril 2018

Declarando "preocupações alarmantes" relacionadas com uma investigação em curso, o cardeal Thomas Collins, de Toronto, juntou-se a outros bispos por todo Canadá na retenção de doações para a Agência de desenvolvimento ultramarino da Conferência Episcopal canadense.

Pelo menos oito dioceses suspenderam o apoio financeiro à organização Développement et Paix após resultados preliminares de uma sondagem que encontrou alguns dos parceiros da Agência em desacordo com o ensino moral e social católico, particularmente em relação ao aborto, à contracepção e à teoria de gênero.

A informação é publicada por Canadian Catholic News e Catholic News Service, 12-04-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

A Conferência Católica de Bispos do Canadá emitiu uma declaração no dia 9 de abril confirmando que um "projeto de pesquisa conjunta" com a Développement et Paix está em andamento para responder às questões levantadas sobre alguns de seus parceiros. Após os resultados preliminares, a Conferência canadense "manifestou preocupação" com a agência, e agora ambas as partes estão "esperançosas de que quaisquer esclarecimentos necessários serão feitos em breve", diz a declaração.

Entre as dioceses que interromperam o apoio estão a de Toronto e St. Catharines em Ontário; Calgary, Edmonton e St. Paul em Alberta; Vancouver e Nelson na Colúmbia Britânica; e Whitehorse, Yukon.

Collins observou que a avaliação dos bispos canadenses sobre os parceiros da Développement et Paix "produziu preocupações alarmantes sobre dezenas de organizações ultramarinas". Ele disse que a Arquidiocese de Toronto vai reter cerca de 800 mil dólares canadenses até que um relatório mais detalhado, esperado para os próximos meses, seja entregue.

"É fundamental garantir que a Agência (Développement et Paix) não aloca fundos para projetos ou grupos que operem contrariamente aos ensinamentos morais e sociais da Igreja", afirmou em declaração do dia 11 de abril.

Mais tarde no mesmo dia, o arcebispo J. Michael Miller anunciou que a Arquidiocese de Vancouver havia se juntado à crescente lista daqueles que "temporariamente retêm" as doações da Développement et Paix. Ele escreveu que os fundos serão retidos até que ele receba "garantia clara" de que os parceiros da Agência "cumprem com o ensino católico e com os critérios estabelecidos pela Caritas Internationalis."

Uma declaração feita no dia 4 de abril do arcebispo de Edmonton Richard Smith sugeriu uma estimativa de que 40 parceiros da Agência "parecem mostrar evidência de conflito com o ensino moral e social católico e, em particular, que eles não demonstram pleno respeito pela santidade da vida humana".

Smith também disse que o financiamento para a Développement et Paix seria suspenso até que a "garantia clara" de que os fundos "serão utilizados apenas por agências cuja missão, valores e práticas sejam coerentes com os ensinamentos da Igreja Católica e com os critérios da Caritas Internacionalis” também fosse recebida.

Romain Duguay, diretor executivo adjunto da Développement et Paix, disse aos meios de comunicação de Edmonton que a Agência continua comprometida com o ensino da Igreja, que está cooperando com a investigação da Conferência, e visa melhorar as comunicações com os bispos.

"O arcebispo levantou questões sérias que precisam ser respondidas", disse Duguay. "Tomaremos as devidas providências para responder a eles e demonstrar que não fazemos nada contrário à Igreja."

Smith disse que a questão veio à tona em um relatório apresentado em fevereiro durante uma reunião dos 25 membros da Assembléia dos Bispos Canadenses do Oeste e do Norte, em Winnipeg.

O bispo de Whitehorse, Hector Vila Martinez e o bispo de Calgary, William McGrattan, apresentaram relatórios parecidos que rotularam como "sérias e credíveis" alegações de que vários parceiros da Développement et Paix "apoiam e até defendem políticas e práticas que não estão em conformidade com os ensinamentos católicos e, em particular, não respeitam plenamente a santidade da vida humana."

Se os bispos não estão satisfeitos com a Développement et Paix e seus parceiros, as doações serão destinadas para outras instituições de caridade. A carta dos bispos assegurou aos paroquianos que estes fundos "só serão usados para ajudar as pessoas necessitadas do hemisfério Sul."

Duguay disse que sua Agência poderia ter feito um melhor trabalho de comunicação.

"Mas estamos confiantes de que este processo irá fortalecer o relacionamento com os bispos, e eles verão que somos realmente muito fiéis em relação à posição e todos os valores promovidos pela Igreja", afirmou.

Duguay também disse que a Développement et Paix trabalha com parceiros locais pois querem capacitar as pessoas e grupos locais que estão ajudando os pobres em seus próprios países e trabalhando para lidar com questões de justiça social. Mas as organizações e projetos podem mudar ao longo do tempo e vir a abraçar valores que não estão em consonância com o ensino da Igreja, disse ele.

"Se esse for o caso, a D&P interrompe a parceria e busca outros parceiros", disse Duguay.

Développement et Paix é a organização oficial de desenvolvimento internacional da Igreja no Canadá e um dos 160 membros da Caritas Internationalis. Foi estabelecida pelos bispos canadenses em 1967 para promover a justiça e o desenvolvimento humano integral no hemisfério sul.

Em 2009, alegações semelhantes contra a Agência resultaram numa investigação que fez a D&P cancelar alguns projetos e fazer alterações nos protocolos de financiamento para garantir que todos os seus parceiros estivessem alinhados com os valores católicos.

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